A relação entre segregação e acesso a capitais sociais – como a análise de redes pode contribuir para o estudo da pobreza.

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  • Publicado : 15 de maio de 2011
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A relação entre segregação e acesso a capitais sociais – como a análise de redes pode contribuir para o estudo da pobreza.

Introdução

O estudo da pobreza engloba diversas vertentes e métodos de análise. Esse trabalho pretende partir da atuação do Estado na construção de uma segregação espacial e como ela influencia negativamente sobre a distribuiçao de capital social devido áscaracterísticas das redes de sociabilidade que encontra-se nessas regiões.
Inicialmente, iremos conceituar redes. Em seguida, trabalharemos com o texto de Vetter e Massena sobre os investimentos do estado e seu impacto sobre a segregação. Os autores apresentam as ações do Estado como fundamentais para a valorização de terras urbanas, e assim, o começo de uma segregação espacial por renda.A partir da teoria da causação circular – eles apontam que, valorizada, a terra seleciona economica e politicamente seus habitantes, que por sua vez inserem mais recursos no Estado via impostos e tarifas locais. Isso demandaria do Estado, em contrapartida, mais investimentos, gerando ainda mais valorização e segregando – num processo que se retroalimenta.
Depois, a partir do texto deEduardo Marques, apresentaremos uma primeira relação entre segregação e redes de sociabilidade. Através da metodologia de análise de redes com exemplos, e sua relação acesso restrito ou não às estruturas de oportunidades e capital social, apresentaremos a tese de que as redes podem proporcionar o acesso a capital social, ou recursos, que, numa influencia positiva, ampliaria a integração dosindivíduos nas estruturas de oportunidade. Assim, quanto maior o acesso a recursos, maior o acesso a novos recursos que se transformariam em ativos sociais, contribuindo para a superação de uma situação de pobreza.
O conceito de segregação utilizado é o mesmo de Rafael Soares: ´refere-se tanto à desigualdade de acesso a serviços públicos, quanto ao grau de separação ou isolamento residencial entrediferentes grupos sociais´ (pag 29).
Na sequencia, para contribuir no debate ampliando os conceitos do problema da pobreza e segregação, falaremos sobre a contribuição do texto de Marteleto e Silva Rafael referente a capital social e o texto de Briggs, que utiliza também a análise de redes para estudar o impacto da segregação sobre as redes de sociabilidade utilizando a contribuição deEduardo Marques sobre a circulação de capital nas redes.
E o que seriam redes? Redes são laços de relacionamento não hierárquico entre uma série de atores/elementos – que podem ser pessoas, organizações, idéias.
Nas redes, diferencia-se relações de atributos. Atributos são pessoais, capitais detidos por um elemento da rede – como capital humano. Pressupondo-se que as pessoas influenciam umasnas outras, elas constroem recursos/capitais essencialmente sociais, na relação, que não poderiam ser construídos pelos elementos isolados.
A posição do elemento determina/influencia no acesso ao capital social que circula na rede – podendo representar uma oportunidade ou uma limitação. Logo, quanto mais laços (ou conexões entre elementos da rede), maior a possibilidade de acesso a um tipode capital social. Quanto mais heterogêneo forem esses laçõs, maior a diversidade do capital a que se tem acesso.
Podemos organizar as redes como socio-centricas (diversos nós concentrando o que circula na rede) ou ego-centrica (estudo a partir do que circula pelo ego e sua rede direta) – identificando a proximidade entre os elementos, quais atributos compartilham.
A análise derede estuda a estrutura e a circulação dos capitais sociais – não se limitando a tipos de recursos circulantes. Pode se focar no nós e seu posicionamento, na proximidade entre os elementos e sua relação com a circulação, na estrutura ou desenho da rede identificando atributos dos elementos. Enfim, há uma infinidade de possibilidades de uso dessa metodologia.
Como escreveu Eduardo Marques...
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