A questão ambiental

A QUESTÃO AMBIENTAL
A perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo no qual se evidenciam
as inter-relações e a interdependência dos diversos elementos na constituição e manutenção
da vida.
À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para
satisfação de necessidades e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso
do espaço e dos recursos.Nos últimos séculos, um modelo de civilização se impôs, alicerçado na
industrialização, com sua forma de produção e organização do trabalho, a mecanização da
agricultura, o uso intenso de agrotóxicos e a concentração populacional nas cidades.
Tornaram-se hegemônicas na civilização ocidental as interações sociedade/natureza
adequadas às relações de mercado. A exploração dos recursos naturaisse intensificou muito
e adquiriu outras características, a partir das revoluções industriais e do desenvolvimento
de novas tecnologias, associadas a um processo de formação de um mercado mundial
que transforma desde a matéria-prima até os mais sofisticados produtos em demandas
mundiais.
Quando se trata de discutir a questão ambiental, nem sempre se explicita o peso que
realmente têm essasrelações de mercado, de grupos de interesses, na determinação das
condições do meio ambiente, o que dá margem à interpretação dos principais danos
ambientais como fruto de uma “maldade” intrínseca ao ser humano.
A demanda global dos recursos naturais deriva de uma formação econômica cuja
base é a produção e o consumo em larga escala. A lógica, associada a essa formação, que
rege o processode exploração da natureza hoje, é responsável por boa parte da destruição
dos recursos naturais e é criadora de necessidades que exigem, para a sua própria
manutenção, um crescimento sem fim das demandas quantitativas e qualitativas desses
recursos.
As relações político-econômicas que permitem a continuidade dessa formação
econômica e sua expansão resultam na exploração desenfreada derecursos naturais,
especialmente pelas populações carentes de países subdesenvolvidos como o Brasil. É o
caso, por exemplo, das populações que comercializam madeira da Amazônia, nem sempre
de forma legal, ou dos indígenas do sul da Bahia que queimam suas matas para vender
carvão vegetal.
Os rápidos avanços tecnológicos viabilizaram formas de produção de bens com
conseqüências indesejáveis que seagravam com igual rapidez. A exploração dos recursos
naturais passou a ser feita de forma demasiadamente intensa, a ponto de pôr em risco a sua
renovabilidade. Sabe-se agora da necessidade de entender mais sobre os limites da
renovabilidade de recursos tão básicos como a água, por exemplo
Recursos não-renováveis, como o petróleo, ameaçam escassear. De onde se retirava
uma árvore, agoraretiram-se centenas. Onde moravam algumas famílias, consumindo
escassa quantidade de água e produzindo poucos detritos, agora moram milhões de famílias,
exigindo a manutenção de imensos mananciais e gerando milhares de toneladas de lixo
por dia.
Essas diferenças são definitivas para a degradação do meio. Sistemas inteiros de vida
vegetal e animal são tirados de seu equilíbrio. E a riqueza, geradanum modelo econômico
que propicia a concentração da renda, não impede o aumento da miséria e da fome. Algumas
das conseqüências são, por exemplo, o esgotamento do solo, a contaminação da água e a
crescente violência nos centros urbanos.
À medida que tal modelo de desenvolvimento provocou efeitos negativos mais graves,
surgiram manifestações e movimentos que refletiam a consciência deparcelas da população
sobre o perigo que a humanidade corre ao afetar de forma tão violenta o seu meio ambiente.
Em vários países, a preocupação com a preservação de espécies surgiu há muitos anos. No
final do século passado, iniciaram-se manifestações pela preservação de sistemas naturais
que culminaram na criação de Parques Nacionais e em outras Unidades de Conservação
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Nas regiões mais...
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