A prática do aconselhamento pastoral

A PRÁTICA DO ACONSELHAMENTO PASTORAL
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá
 
A QUESTÃO PRELIMINAR
A questão preliminar na prática doaconselhamento pastoral é esta: O que queremos, exatamente, com o ministério de aconselhamento pastoral? Bancar o psicólogo, aparentar ar professoral, ser importante, dominar as pessoas, impor nosso pontode vista? Na década dos oitentas, o charme nas igrejas não era o louvor, mas era o aconselhamento. Na ocasião, eu trabalhava na Faculdade Teológica Batista de Brasília e observei quantas pessoasvinham fazer Aconselhamento Pastoral, porque queriam desenvolver o ministério de aconselhamento nas igrejas. Observei duas características comuns em muitos dos interessados: (1) Eram pessoas dominadoras;(2) Eram pessoas com pontos de vista muito fortes e que lutavam, por eles. É curioso como o temperamento das pessoas as impele para certas funções nas igrejas. Pessoas apaixonadas pela evangelização,não incomumente, são pessoas agressivas. Alguns gurus evangélicos e pessoas que se atribuem títulos pomposos são pessoas com enormes carências emocionais. Elas buscam compensação nas atividadeseclesiásticas.  O conselheiro precisa se sondar: o que o motiva é amor às pessoas, consciência de missão, ou desejo de controle?
 
Voltemos à década dos oitentas. Enfatizava-se muito o discipulado, quehoje aparece com roupa nova, chamado de mentoreamento. Os candidatos a conselheiros queriam discipular pessoas, mas dava para notar que não era para fazerem discípulos de Cristo, e sim discípulos delas.Não era para levar as pessoas à estatura de varão perfeito, como encontramos recomendado em Efésios 4.13. Era para reproduzir pessoas à sua imagem e semelhança. Ainda hoje, buscamos muito fazer clonesnossos em nossas igrejas. Ou dominar pessoas. O líder precisa sondar bem suas intenções. Principalmente se ele se vale do aconselhamento. Que deseja: ovelhas maduras ou pessoas submissas a ele?...