A polifonia segundo bakhtin

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  • Publicado : 13 de outubro de 2011
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Toda a concepção de linguagem e de literatura de Bakhtin pressupõe, sempre, um lugar da poesia e um lugar da prosa, não no quadro tradicional dos gêneros composicionais, quadro esse que nuncainteressou Bakhtin, mas como formas substancialmente diferenciadas de “apropriação da linguagem”. Assim, antes de entrar na questão específica da poesia, é preciso rever o conceito de prosa romanesca segundoBakhtin -é apenas com relação a esse conceito que sua visão de poesia fará sentido.
O grande centro temático de todas as ramificações do pensamento bakhtiniano está na prosa artística, maisespecificamente no romance. Em sua obra mais famosa, “Problemas da Poética de Dostoiévski”, embora o tema central seja a literatura de Dostoiévski, a discussão sobre o romance como gênero aparece em váriosmomentos, sempre relacionada à discussão sobre a natureza da linguagem, literária ou não, como, aliás, foi a marca de todo o trabalho de Bakhtin. Parte substancial de suas categorias se encontra nestelivro, em particular o conceito de “polifonia”, que ficaria célebre pelo mundo inteiro como uma das marcas maiores do pensamento bakhtiniano.
Para Bakhtin, Dostoiévski foi o criador de um novo gêneroliterário, o romance polifônico, cuja característica marcante (entre outras exigências) estaria no fato de que na obra do romancista russo as vozes que ressoam no texto não se sujeitam a um narradorcentralizante (como em geral acontece no romance considerado tradicional); elas relacionam-se umas às outras em “condições de igualdade”.
Bakhtin dá vários passos surpreendentes com a criação destacategoria, que tem componentes ideológicos muito atraentes para o nosso tempo, como veremos. O primeiro é uma nova definição da originalidade de Dostoiévski: o que poderia parecer um “defeito formal” emDostoiévski, o seu suposto “mal acabamento”, era de fato a expressão de uma literatura cujo centro estava exatamente na idéia do “não-acabamento” do homem, um conceito bastante produtivo na visão...
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