A partida do audaz navegante

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  • Publicado : 18 de março de 2013
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A partida do Audaz Navegante
A obra de JOÃO GUIMARÃES ROSA, Primeiras estórias no conto intitulado “A partida do audaz navegante", o autor nos faz refletir sobre a poética do pensamento infantil, a arte de filosofar presente na infância. O conto citado revela a presença de um pensamento infantil lírico e filosófico sobre as situações cotidianas, rompendo com os paradigmas tradicionais eprevisíveis. Se faz presente neste conto, as marcas da oralidade, os desvios sintáticos nos diálogos dos personagens mostrando a força do pensamento infantil, a criação de palavras principalmente por parte da personagem principal Brejeirinha, este pensamento que leva a protagonista para lugares onde ninguém consegue chegar, que provém de sua imaginação. Nos convida a pensar os limites do que estáexplícito, visível, e do que está implícito, nas entrelinhas, como tudo aquilo que pode ser captado pelo olhar de uma criança. A protagonista excita-se nas artes de inventar e de contar. Ao ser criticada, ela diz: " Antes falar bobagens, que calar besteiras..." (ROSA, 1994: 471). A história que Brejeirinha inventa está intrinsecamente ligada ao que se passa, porém com um toque de fantasias.
As indecisões,as dúvidas, as curiosidades da criança perante o universo que a cerca se expressa por meio de um discurso mágico e insólito, como o dos poetas. Brejeirinha a menina-poeta cria resoluções fictícias para situações reais. Ela possui um olhar de alegria para todas as coisas e transforma, por meio de seu olhar poético. Como afirma o narrador: "Mas Brejeirinha tinha o Dom de apreender as tenuidades:delas apropriava-se e refletia-as em si – a coisa das coisas e a pessoa das pessoas.” (ROSA, 1994: 470)
Recordações sobre as passagens:
Brejeirinha, não gostando de mar: " O mar não tem desenho. O vento não deixa. O tamanho... lamentava-se de não ter trazido pão para os peixes.
- Peixe, assim, a esta hora"?" – Pele duvidava. Divagava Brejeirinha:
- A cachoeirinha é uma parede de água..." Falouque aquela, ali no rio, em frente, era a Ilhazinha dos Jacarés.
- "Você já viu jacaré lá?" – caçoava Pele. – "Não. Mas você também nunca viu o jacaré-não-estar-lá. Ocê vê a ilha, só. Então, o jacaré pode estar ou não estar..." (ROSA, 1995: 472)
Nesta última fala a personagem se remete a sensação de comunhão das dicotomias entre estar/não estar, ser/não ser. Fragmentos que contém limitações.Quando ela aponta para algo que pode existir, mesmo que não esteja em algum lugar, somos convidados a inferir, a rever as possíveis distâncias e ausências, imaginamos que, onde nada parece acontecer, algo pode está acontecendo. Firmando noções de tempo e espaço e de presença/ausência. Os personagens de conto são quatro crianças, três irmãs e um primo sendo eles Pele, meiga e prestativa; Ciganinha,linda, o retrato da mãe; Zito, imaginativo, “sonhava ir-se embora, teatral”; Brejeirinha, a menor e mais arteira, e que brincam dentro de casa num dia chuvoso. Uma das irmãs namora o primo e estão brigados. Brejeirinha, a mais nova adora contar histórias e inventa uma história baseada na história de Sinbad o Marujo, Brejeirinha, como se pressentisse os sonhos de Zito, diz -Zito, você podia ser opirata, inglório marujo, num navio intacto, para longe, longe no mar, navegante que o nunca-mais, de todos? Empolgada, a menina começa a contar sua história: narra a partida de um “Audaz Navegante” que deixa a todos que ama para descobrir os lugares, que nós não vamos nunca descobrir. A história termina com todos chorando por causa da partida do "Audaz". Para de chover e Brejeirinha leva todos parafora, para olhar a poças de águas e mostrar sua história.Vê um monte de excrementos de vaca numa poça e mostra a todos a versão de sua história. O monte é um navio que irá partir a qualquer momento levando o noivo querido para longe, para uma terra distante e a mulher que havia brigado com ele nunca mais o verá. O monte está preso apenas por um fio á grama e Brejeirinha pega uma vara e o cutuca...
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