A origem da cidade de faro

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Marcos Blanch Diniz
Arquitectura Civil em Faro após o terramoto de 1755
Separata dos “Anais do Município de Faro” Faro - 1981

Resumo Histórico

A origem da cidade de Faro, ainda muito discutida, parece ter sido uma povoação celta ou cartaginesa, embora alguns autores lhe atribuam existência mais recuada (povoado cónico).
Nas referências mais antigas (Estrabão, Plinio, Pomponio,Mela, Ptolomeu, etc.) aparece o nome de Ossonoba, importante urbe do Convento Jurídico Pacense, e era então governada por um Sexvirato.
A sua importância chegou ao ponto de ter direito de cunhar moeda própria.
Cabe aqui fazer uma breve referência à longa controvérsia respeitante à localização de Ossonoba, que muitos autores quiseram identificar com Milreu, tendo sugerido que Faro não passava deum farol, destinado a assinalar a barra do Rio Seco. Várias descobertas posteriores às investigações de Estácio da Veiga, um dos mais acérrimos defensores da localização de Ossonoba em Milreu, levaram autores como Mário Lyster Franco, Abel Viana e Fernandes Mascarenhas a identificá-la com Faro, conquanto seja possível que, sob o domínio muçulmano, se verificasse uma pequena deslocação da povoação,que estaria inicialmente no sítio do Amendoal, junto à foz do Rio Seco, onde já Estácio da Veiga mencionou ter explorado parcialmente “uma opulenta villa ou granja romana, cujos edifícios tinham excelentes pavimentos de mosaico”.
Sabe-se que Ossonoba foi sede de bispado, pelo menos desde o fim do século III e até 688, ano em que Agrípio, último bispo godo de Óssonoba, esteve presente noConcílio Toletano.
No Itinerário de António são mencionadas estradas ligando-a a Ebora, vila Balsa, Baesuris e Myrbilis; e a Salacia, passando por pontos ainda indeterminados do Baixo Alentejo, talvez por Arandis ou Aranni e que iria encontrar em ponto também ainda indeterminado a estrada que ligava Ossonoba a Baltum, Portus Hannibalis e Lacobriga.
Depois deste período de grandeza, devido àssucessivas invasões de povos bárbaros, começou a declinar, e, embora tendo continuado a ser sede de bispado até quase ao fim do domínio visigótico, foi muito abalada por sucessivas calamidades políticas, religiosas e geológicas.
Supõe-se ter sofrido grande destruição durante o domínio muçulmano em que se registaram terramotos em 881 e 889, sendo esta uma das possíveis causas da mudança delocalização que, segundo Fernandes Mascarenhas, se terá verificado nesta época, do Amendoal para a actual posição. Esta deslocação, com a consequente reutilização de materiais de construção, explica a escassez de vestígios no local onde anteriormente se localizava.
Tornada autónoma cerca de 1016 por Abu Othman Said ibn Harun, passou então a chamar-se, em vez de Santa Maria de Ossonoba, nome que lheficara do período visigótico, Santa Maria Ibn Harun, o que permitia distingui-la de Santa Maria ibn Razin (Albarracin), sua contemporânea. De Santa Maria ibn Harun o nome evolui lentamente, passando por sanctam mariam de ffaarõ (1249), sanctam Mariam de faaron (1250), Santa Maria de Faaron (1269 e 1340), faarom (1395 e 1441), farom (1443), Fáram (1469) e Farão (1471), nomes com que figura em váriosdocumentos, até que, a partir de meados do século XVI passou a chamar-se Faro.
A colónia cristã manteve-se durante todo o domínio muçulmano, como o demonstra o nome de Santa Maria, que conservou até meados do século XIV.
Conquistada em 28 de Março de 1249 por tropas comandadas pelo próprio D. Afonso III, o castelo foi um dos postos em terçaria em poder de D. João de Aboim e do filho, PeroEanes de Portel, até que por carta régia de D. Afonso X de Castela, de 16 de Fevereiro de 1267, foram entregues a D. Afonso III todos os castelos e terras do Algarve, terminando assim a disputa que a conquista do Algarve originara entre os dois reis.
Teve o primeiro foral em Agosto de 1266, a que se seguiu outro, em 12 de Julho de 1269, referente aos mouros forros que tinham permanecido na...
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