A oralidade na sala de aula

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A ORALIDADE NA SALA DE AULAMarcuschi (2002) inicia seu texto Oralidade e ensino de língua: uma questão pouco ‘falada’, afirmando que “a fala é uma atividade muito mais central do que a escrita no dia-a-dia da maioria das pessoas” (MARCUSCHI, 2002: 21). No entanto, é alarmante a quase ausência de abordagens do aspecto oral da língua em aulas de português. Essa postura de descaso para com aoralidade nas salas de aula, em específico nos livros didáticos de português, é analisada por Marcuschi no texto em questão.O autor nos apresenta definições básicas de linguagem e língua, definindo a primeira como uma expressão que designa uma faculdade humana. Língua, por sua vez, é definida como uma expressão referente a uma, dentre “tantas formas de manifestação concreta dos sistemas de comunicaçãohumanos desenvolvidos socialmente por comunidades lingüísticas” (MARCUSCHI, 2002: 22).Enquanto a noção de linguagem abrange uma faculdade humana universal, a noção de língua refere-se à comunicação humana concretizada através de uma manifestação social, histórica, particular e sistemática, logo, a língua, para além de seu caráter comunicativo, apresenta-se como uma atividade de interaçãodialógica, tendo características intrínsecas, tais quais: a heterogeneidade, um dos motivos das variações históricas e sociais; a indeterminação e a situacionalidade, pela necessidade de ser tratada em contextos situacionais; a historicidade, pelo fato de se modificar no decorrer do tempo; a interatividade, por ser a língua um trabalho social, uma atividade interpessoal; a sistematicidade, caracterizadapela existência de regras, mesmo que variáveis, que definem seu uso; e a cognoscibilidade, por ser, a língua, um sistema cognitivo utilizado para compreensão e construção do mundo mental ou não.Os livros didáticos de português apresentam uma visão parcial da língua ao ignorarem este espectro de atributos e focá-la como simples instrumento de comunicação social, semanticamente transparente e autônoma,homogênea, desvinculada dos usuários, separada da realidade e não histórica. A dificuldade de encontrar um lugar para a oralidade na sala de aula pode ser compreendida inicialmente ao observarmos a parcialidade deste contexto teórico.Um ponto relevante a ser observado é o posicionamento do livro didático de português a respeito do papel central da escola, resumido no objetivo geral de ensinar aescrever.A dificuldade encontrada pelos autores de livros didáticos de português encontra-se em como e onde inserir o estudo da fala nestas obras, sendo a oralidade, portanto, tratada nestes livros em termos comparativos ao padrão culto atribuído à escrita.A fala tem como aspecto central a variação. O autor afirma que “a noção de um dialeto padrão uniforme (não apenas no Português, mas em qualquerlíngua) é uma noção teórica e não tem um equivalente empírico” (MARCUSCHI, 2002: 24). A abrangência dos aspectos de mudança e variação raramente é efetuada nas aulas de língua portuguesa. Faz-se necessário, segundo o autor, “formar a consciência de que a língua não é homogênea nem monolítica” (MARCUSCHI, 2002: 24).Outro aspecto fundamental é a existência de níveis de uso da língua desde seuaspecto coloquial até a formalidade, tanto na fala quanto na escrita. A observação de características que influem na produção da fala, tais como idade, sexo, atividade profissional, posição social, podem e devem ser observados em salas de aula de maneira que a oralidade seja abordada como elemento integrado e relacionado à escrita.Uma abrangência consciente e ampla da oralidade na sala de aula édefendida por Marcuschi (2002: 25):"O trabalho com a oralidade pode, ainda, ressaltar a contribuição da fala na formação cultural e na preservação de tradições não escritas que persistem mesmo em culturas em que a escrita já entrou de forma decisiva. Veja-se o caso tão ilustrativo dos contos populares ainda tão vivos em nosso povo não só no interior, mas também em áreas urbanas. Dedicar-se ao estudo...
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