A noite e muito escura

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  • Publicado : 3 de junho de 2013
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análise do poema "é noite. a noite é muito escura"
O poema que se inicia com "É noite. A noite é muito escura", é um poema de Alberto Caeiro, e que pertence aos "Poemas Inconjuntos”. 
Comecemos poranalisar o poema ou seja a paisagem do poema. O poeta olha, de noite, uma luz numa casa distante. A princípio ele olha a luz da janela e compreende instintivamente que a luz representa a presença dealguém naquela casa, de uma outra vida. É essa semelhança a si próprio que o faz "sentir-se humano dos pés à cabeça". Mas apenas momentaneamente. Pois se Caeiro olha a luz e é levado a compreender apresença humana por detrás da luz, logo de seguida ele percebe que na realidade ele não quer pensar na existência da luz, mas apenas contemplá-la enquanto luz à distância. 
 
Ver a luz apenasenquanto luz - e não enquanto um objecto ideal entre a luz e a presença humana na casa, revela-nos em essência o que de mais importante reside no pensamento filosófico de Alberto Caeiro: ele é umobjectivista. 
Ele valoriza simplesmente o que recebemos dos nossos sentidos, sem sentirmos necessidade de pensar nisso. Apenas os homens insistem em ir para além da Natureza, e Caeiro pretende um regresso ao"ser natural", um regresso à simplicidade, à "realidade imediata"; porque "para além da realidade imediata não há nada".

 
Tanto é assim que, quando a luz se apaga, também se apaga o interesse deCaeiro. Porquê? Porque ele olhava a luz e não o que a luz significava (a presença humana, da família). 
 
Todo o poema é uma metáfora para o engano que é pensar nas coisas, quando podemossimplesmente observá-las. Os homens, ao verem a luz na janela, nunca conseguem só ver a luz na janela, querem pensar em quem a acendeu e a quem pertence a luz e porque a luz existe, acesa, naquele instante. Oexemplo da luz serve para tudo o resto - os homens querem sempre compreender o porquê das coisas, mesmo que as coisas possam não ter um porquê. As luzes acesas são afinal tudo o que vemos, tudo o que...
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