A nausea- paul sartre

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-JEAN-PAUL SARTRE A NÁUSEA

livros de bolso europa américa Do mesmo autor: As Mãos Sujas Os Sequestrados de Altona Baudelaire Situações I Situações II Situações III Situações IV Situações VI: Problemas do Marxismo - I Situações VII: Problemas do Marxismo - 2 JEAN-PAUL SARTRE A NÁUSEA C M P V BIBLIOTECA li N Data Publicações Europa-América Título original: La Nausée Tradução de António CoimbraMartins Capa: estúdios P. E. A. © Librairie Gaüimard Direitos reservados por Publicações Europa-América, Lda. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma ou por qualquer processo, electrónico, mecânico ou fotográfico, incluindo fotocópia, xerocópia ou gravação, sem autorização prévia e escrita do editor. Exceptua-se naturalmente a transcrição de textos oupassagens para apresentação ou crítica do livro. Esta excepção não deve de modo nenhum ser interpretada como sendo extensiva à transcrição de textos em recolhas ontológicas ou similares donde resulte prejuízo para o interesse pela obra.Ostransgressores são passíveis de procedimento judicial. Editor: Francisco Lyon de Castro PUBLICAÇÕES EUROPA-AMÉRICA, LDA. Apartado 8 2726 MEU MARTINS CODEX PORTUGALEdição n°-: 140633/5207 Execução técnica: Gráfica Europam, Lda., Mira-Sintra Mem Martins

Ao CASTOR «É um rapaz sem importância colectiva; um indivíduo, nada mais.» L. F. CÉLINE (A Igreja) Estes cadernos foram encontrados entre os papéis de Antoine Roquentin. Publicamo-los sem lhes fazer a mais pequena alteração. A primeira página não está datada, mas temos boas razões para pensar que éanterior de algumas semanas ao começo do diário propriamente dito. Teria sido escrita, portanto, em princípios de Janeiro de 1932, o mais tardar. Nessa altura, Antoine Roquentin, depois de ter viajado pela Europa central, pelo Norte de África e pelo Extremo Oriente, tinha-se fixado, havia três anos, em Bouville, para concluir nessa cidade as suas pesquisas históricas sobre o marquês de Rollebon. OsEDITORES

Vão em rodapé as notas da versão original; o leitor que quiser consultar as do tradutor encontrá-las-á no fim do livro, embora nenhuma remissão as anuncie, a fim de não perturbar o prazer da leitura a quem não gosta ou não precisa de recorrer a comentários estranhos a obra O AUTOR 1

FOLHA

SEM

DATA

O melhor seria escrever os acontecimentos dia a dia. Fazer um diário para osconsiderar com clareza. Não deixar escapar as diferenças de pormenor, os factos miúdos, mesmo quando parecem insignificantes, e sobretudo ordená-los. Tenho de dizer como é que vejo esta mesa, a rua, as pessoas, a minha bolsa de tabaco, visto que foi isso que mudou. Tenho de determinar exactamente a extensão e a natureza dessa mudança. Por exemplo, tenho aqui uma caixa de cartolina que contém o meufrasco de tinta. Devia tentar dizer como é que a via antes e como é que agora a... * Pois bem! É um paralelepípedo recto, sobressai dum fundo... Que tolice! Não há nada a dizer dela. É isto que é preciso evitar; é preciso não achar estranho o que não tem estranheza nenhuma. É este o perigo, creio eu, quando se faz um diário: exagerase tudo, espia-se de mais, excede-se constantemente a verdade. Poroutro lado, é certo que posso, dum momento para o outro - e justamente a propósito desta caixa ou doutro objecto qualquer - sentir de novo aquela impressão de anteontem. Tenho de estar sempre pronto, senão mais uma vez ela me escaparia. É preciso não... 2 coisa nenhuma, mas registar cuidadosamente e com minúcias extremas tudo o que acontece. Está claro que já não posso escrever nada com nitidezsobre aquelas histórias de sábado e de anteontem, já estou * Uma palavra deixada em branco. Uma palavra riscada (talvez «forçar», ou «forjar»); está outra escrita por cima, mas ilegível. muito longe delas; tudo quanto posso dizer é que, tanto num caso como no outro, não houve nada do que geralmente se chama um acontecimento. Sábado, uns garotos estavam a atirar pedrinhas ao mar para as fazer saltar...
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