A mulher e a promiscuidade em o cortiço

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS
LETRAS – 7º PERÍODO
LITERATURA MARANHENSE
PROF.ª DR.ª RITA SANTOS


















A MULHER E A PROMISCUIDADE EM O CORTIÇO

Aluísio Azevedo

















SÃO LUÍS

-2010-

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS
LETRAS – 7º PERÍODO
LITERATURA MARANHENSE
PROF.ªDR.ª RITA SANTOS














A MULHER E A PROMISCUIDADE EM O CORTIÇO

Aluísio Azevedo



Trabalho apresentado à disciplina Literatura Maranhense, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Rita Santos, para obtenção de nota semestral.














SÃO LUÍS

-2010-

SUMÁRIO



EPÍGRAFE

INTRODUÇÃO

2. ALUÍSIO DE AZEVEDO – VIDA E OBRA.....………………………………… 06

2.1 OBRAS MAIS IMPORTANTES ...................................................................07

3. O CORTIÇO……………………………………...……………………………….... 08

3.1 CONTEXTO HISTÓRICO DE O CORTIÇO…..……………………..…….09

3.2 RESUMO DA OBRA…………………………………………....……......…10

3.3 PERSONAGENS….………………………………………………………....12

4. A MULHER E A PROMISCUIDADE EM OCORTIÇO......................................16
4.1 CORRUPÇÃO DOS PERSONAGENS...........................................................16
4.2 RELAÇÕES DE CONTROLE E SUBMISSÃO NOS PERSONAGENS FEMININOS...................................................................................................19

CONCLUSÃO

BIBLIOGRAFIA

























E viu a RitaBaiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua coma de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher.

Ela saltou em meio da roda, comos braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, comose voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, tirilando.

(...)

Naquela mulata estava ogrande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era acastanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita degemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

O Cortiço, página 47 - 48)





INTRODUÇÃO



O Cortiço, obra naturalista do século XIX, é um marco na Literatura brasileira e maranhense. Publicado em 1890 por Aluísio Azevedo, ludoviscense irmão do grande...
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