A mulher, a histeria e a contemporaneidade¹

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  • Publicado : 8 de junho de 2011
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A mulher, a histeria e a contemporaneidade¹

Michelle Silva de Andrade²

Resumo:

Este artigo aborda questões sobre a mulher nos tempos de hoje. Revela algumas demandas femininas e como essas se configuram no cenário da histeria. Descreve a estrutura histérica segundo Freud e a relaciona a alguns sintomas contemporâneos. Discorre sobre alguns apontamentos de Lacan à teoria da histeria deFreud.
Palavras-chave: Psicanálise, histeria, contemporâneo.

Freire (2001) revela que a histeria é um fenômeno de massa da atualidade e apresenta-se nas expressões da feminilidade. Foi talvez a principal contribuição da psicanálise, onde Freud descreveu o caráter histericizante da mulher e da cultura. A histeria é apontada, então, como uma forma de expressão da subjetividade.

A grandepergunta freudiana no que se refere a mulher e a histeria era “o que quer uma mulher?”. Para essa pergunta Freud buscava respostas nos casos de histeria que atendia e na cultura, onde pôde encontrar conseqüências dessa feminilidade no contexto cultural (FREIRE, 2001).

Freud, em 1889, já começa a considerar a etiologia da histeria calcada em fatores sexuais. A clinica de Freud sofreu váriasmudanças, sendo que a mudança no que se refere ao tratamento da histeria foi o deslocamento do campo visual (teatralização) para a escuta. O sujeito podia falar de si, percebe-se um saber não sabido que está escondido, como que em segredo. È a partir dessa constatação que Freud pôde abandonar a hipnose. (FREIRE, 2001).

A histeria coloca o corpo em evidência. Desde a antiguidade esse termo está ligado aocorpo feminino, as questões ligadas ao útero e, mais recentemente, as questões ligadas ao sistema nervoso ou cerebral. Freud postula que a histeria está no âmbito psíquico e se configura como um mecanismo de defesa que era utilizado pelo sujeito para se afastar do evento traumático que seria intolerável. Sendo assim, a produção de sintomas não passava de “uma substituição aceitável para aconsciência devido a sua constituição moral: o conflito ficou explicado entre o sexual e o moral” (FREIRE, 2001, p.2).

Segundo Freire (2001), a sexualidade que poderia explicar a histeria teria sua origem na infância, podendo ou não se tornar traumática. O recalque seria o mecanismo de esquecimento e ignorância sobre esses eventos traumáticos na consciência. Sendo assim, as vivencias atuais seriamre-significadas de acordo com as experiências do passado. Quando a moralidade fosse posta de maneira incisiva, as lembranças seriam re-calcadas, aparecendo, então, os sintomas que seriam substitutivos a essas lembranças, porém de forma mascarada, velada, podendo exprimir até o caráter prazeroso da situação. A fantasia seria aqui uma “materialidade psíquica”, sendo responsável pela formação do sintomahistérico.

Em 1923, Freud descreve que a oposição entre menino e menina seria a de “fálico-castrada”. Então, “a menina vivência sua fase pré-edipiana, caracterizada por uma forte ligação afetiva com a mãe, encontrando apego ao pai a melhor saída dessa relação primaria”. (FREIRE, 2001, p.2). Dessa forma, a explicação da histeria perpassa pelos conceitos de identificação, falo, complexo decastração e complexo de Édipo.

A fantasia que finda a histeria seria o complexo de castração, onde a menina se vê e vê a mãe sem o pênis, culpando a mãe por isso. Ela se volta para o pai, objeto de amor, esperando que ele lhe dê o pênis, já que o possui. É através dessa relação com o pai que a menina tem acesso a feminilidade. “A revolta diante da castração leva a menina a investir esse corpo comosendo o falo e o coloca (o corpo) em primeiro plano, tanto na teatralização de seus sintomas quanto no exibicionismo desse corpo” (FREIRE, 2001, p.3). A menina experimenta uma intensa desvalorização pelo não-ter e torna-se eternamente invejosa do atributo masculino. Então, será através do olhar do pai a menina deixa sua ligação com a mãe e busca sua própria história, pois quer que sua imagem...
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