A morte e a morte de quincas

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  • Publicado : 18 de março de 2013
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O livro a “Morte e a Morte de Quincas berro D’água” é considerado a obra prima de Jorge Amado, que é reconhecido por assumir em seus romance uma visão romântica das camadas populares baianas, sendo esta sua temática principal. Este livro foi publicado em 1961, e conta a trajetória do próprio Quincas Berro D´Água, que na verdade, é o tranquilo funcionário público Joaquim Soares da Cunha, marido epai respeitado e amado. Jorge Amado se utiliza principalmente da narração neste livro, contando a história através da movimentação dos personagens, situados em determinado tempo e espaço, e, se utilizando de verbos de movimento.

“Tio Eduardo tinha voltado para o armazém, não podia abandoná-lo só com os empregados, uns calhordas. Tia Marocas prometera vir mais tarde para o velório,precisava passar em casa, deixara tudo ao deus-dará na pressa de saber as novidades.” (AMADO, 1959. p.9)


Duas, para alguns até três mortes são narradas nessa história, porém do mesmo personagem. Durante a trama um narrador onisciente apessoal nos conta como pode uma só pessoa morrer três vezes, nos detalhando em terceira pessoa o sofrimento e os pensamentos dos personagens.“Vanda estremeceu na cadeira, passou a mão no rosto – será que estou enlouquecendo? –, sentiu faltar-lhe o ar, o calor fazia-se insuportável, sua cabeça rodava. Uma respiração ofegante na escada: tia Marocas, as banhas soltas, penetrava no quarto. Viu a sobrinha descomposta na cadeira, lívida, os olhos pregados na boca do morto.” (AMADO, 1959. p.12)


Ele nos conta a confusa morte deum homem, ou melhor, as confusas mortes de Quincas Berro D'água, que morre em um quarto solitário e repentinamente, pegando de surpresa todos que conhecia. Sua família, os personagens secundários dessa história, Vanda (filha), Leonardo (Marido de Vanda), Maroca (irmã de Joaquim) e seu marido Tio Eduardo, além de Otacília (esposa falecida de Joaquim), já havia dado ele como morto anos antes, quandoJoaquim Soares da Cunha, o personagem principal, entrou pra vida de farra e falta de compromisso com o mundo, querendo apenas ser livre, e se tornou o Quincas Berro D’àgua. E essa foi sua primeira morte.


O tipo de discurso é predominantemente discurso direto, ou seja, ou narrador deixa os personagens agirem na narrativa, eles falam através do uso de dois pontos, travessões, exclamações,etc.


“Estava na hora de Leonardo ir para a Repartição. Disse à esposa:
– Vai na frente, eu passo na Repartição e não demoro a chegar. Tenho de assinar o ponto. Falo com o chefe...” (AMADO, 1959, p.3).

Morreu de repente e solitário, de forma desconhecida, jogado em lençóis imundos e todo maltrapilho, era irreconhecível aos olhos de quem o vira em um de seusdias de decência. Chocou seus companheiros da vida de boêmio, por estar sozinho, na cama; abalou a família, mas somente, pois tinham medo de ter seu nome ligado àquele bêbedo novamente, largado a própria sorte, sem vínculos, vivendo apenas de sua liberdade e suas vontades.

Vanda, Leonardo, Tia Maroca e Tio Eduardo começaram a preparar o enterro; se reuniram em conselho e se puseram adiscutir; primeiro pensaram em fazer uma cerimônia grande, pra muita gente, mas logo, ficaram envergonhados de pensar nos convidados comentando as histórias de como Quincas vivera os últimos anos de sua vida; então concordaram em preparar um pequeno enterro, só pra família mais próxima e, depois, convidar os outros pra missa de sétimo dia.


O conselho de família não durou muito tempo. O cadáverficara aos cuidados de uma empresa funerária de um amigo do tio Eduardo, com desconto. Ali perto, compraram roupas novas para o amigo enquanto Eduardo anotava cada gasto em um caderninho. Aos poucos o cadáver ia voltando a ser Joaquim Soares da Cunha em vez de Quincas Berro D’água nas mãos dos agentes funerários. Enquanto isso, os parentes comiam e discutiam sobre de onde deveria sair o caixão....
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