A morte e a morte de quincas berro d'água jorge amado

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  • Publicado : 19 de setembro de 2012
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A morte e a morte de Quincas Berro D’Água, Jorge Amado
Publicada pela primeira vez em 1959, na revista "Senhor", esta curta obra logo recebeu vestes de romance. A morte e a morte de Quincas Berro D'Água, de Jorge Amado, é, antes de tudo, uma crítica azeda aos comportamentos burgueses. A obra está inserida na segunda fase do Modernismo (o intitulado "Romance da Seca"). Os autores desta geraçãopriorizaram a problemática ruralista do Nordeste, evidenciando os contrastes e as explorações sociais sofridas pelos sertanejos.

É considerado por críticos literários importantes, como José Ramos Tinhorão e Paulo Emílio Salles Gomes, um romance atípico de Jorge Amado, longe de sua temática eminentemente baiana e/ou política. O livro é solidamente baseado no "Evangelho Segundo o Espiritismo", deAllan Kardec, e justamente por essa razão foi mais tarde desprezado por seu autor, que via nele o registro de uma fase de sua vida que ele preferia esquecer.

Outros elementos a serem notados no livro são as referências óbvias a um dos maiores clássicos da literatura brasileira, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e a extrema semelhança estrutural com A Comédia Humana, deBalzac.

Com A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água, Jorge Amado faz uma profissão de fé espírita, ao mesmo tempo em que lança profundas indagações sobre o sentido da vida. A dupla de críticos ingleses Terry Gillian e Michael Palin, autores de O Cânon Ocidental, considera este romance uma verdadeira aula de metafísica, embora aponte algumas falhas estruturais e de linguagem que o prejudica umpouco.

O livro é pontuado por participações de outros grandes personagens de Jorge Amado, como Vadinho (protagonista de Seara Vermelha) e Antônio Balduíno, que fez sua primeira aparição como um dos Capitães de Areia e teria papel importante na obra-prima da maturidade de Amado, o livro que inaugura sua fase folclórica: O País do Carnaval.

Os romances de Jorge Amado são divididos habitualmente emdois momentos. O primeiro momento é o Romance do Proletário, onde a temática de denúncia social é o centro do livro. O segundo momento, Romance de Costumes, é onde há uma valorização na mostragem dos costumes da sociedade baiana, onde as críticas são apontadas agora com um tom humorístico. Em alguns instantes chega a incorporar a tendência do Real Fantástico como em Dona Flor e seus Dois Maridos -a volta do marido morto de Dona Flor; ou ainda em A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água - onde o protagonista "volta à vida" para escolher a sua morte. A obra divisora destas duas fases é Gabriela, Cravo e Canela, de 1958.

Jorge Amado popularizou-se em criar tipos sociais, abusando da espacialidade e exotismo da Bahia, gerando um ambiente propício para que seus personagens possam agirlivres, entregues ao universo que os circunda. É neste universo que A morte e a morte de Quincas Berro D'água se desenvolve.

Os becos, as ruas, os espaços habitados pela gente pobre, humilde, feliz e excluída da velhaSão Salvador são dissecados aos olhos do leitor que necessita de uma certa malícia, ironia e humor para compactuar com o escritor que lida de forma divertida, dolorida e irônica com amorte.

Os personagens amadianos são extraídos dos meios populares da Bahia. Em geral, não possuemmuita complexidade. No entanto, no transcorrer narrativo, vão ganhando maior importância e firmandosuas características. Como ressalta Paulo Tavares: "Muitas dessas criaturas anônimas, todavia, merecemdo romancista um tratamento especial que as fixa, situa. Adquirem contornos precisos, ganhamindividualidade, constituem-se em núcleos dramáticos entre misturando-se no emaranhado dos acontecimentos. "Mesmo havendo momentos de introspecção psicológica nas personagens, elas tendem mais a uma classificação como "planas", não chegando muito a surpreender o leitor.

FOCO NARRATIVO

O autor se põe na condição de observador que redige na terceira pessoa, como quem colhe os fatos e suas...
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