A mortalha de alzira

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  • Publicado : 7 de outubro de 2011
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A MORTALHA DE ALZIRA
Primeira Parte
I
Retratando a realidade de Paris, onde as figuras principais se iniciam com o rei Luís XV e seus amigos da corte, que esperavam, apesar de nenhum possuir moral ilibada a missa de quinta-feira santa que costumeiramente era celebrada pelo padre La Rose, este já estava acostumado com toda a “sujeira” existente na vida palaciana da corte. O problemainicia-se com a suposta doença do padre que se recusa a rezar a missa solene, e a partir daí começam a procurar um substituto, onde ninguém queria se submeter a tal façanha, ou seja, substituir a “sumidade”.
Como ninguém se havia proposto, estava difícil achar tal substituto, desde que então aparece o Frei Ozéas, trazendo a solução para o problema. Ele foi até o convento São Francisco, ondehavia enclausurado um seminarista de nome Ângelo, moço de vinte anos aproximadamente, que nunca havia saído do mosteiro, e o Frei veio ao seu encontro para que ele pudesse resolver o problema: rezar a missa no palácio. O moço atendeu prontamente, apesar do medo, pois nunca tinha saído de lá, mais com o tinha verdadeira admiração pelo Frei Ozéas, o qual chamava de pai, foi.
II
O Frei Ozéas,era um discípulo de Jesus, mas que se corrompera desde a tenra idade, que entrou para a vida religiosa, às prostituições, libertinagens, vícios, como era o costume da sociedade francesa da época. Frei Ozéas tinha nessa época vinte e cinco anos.
Mas quando Ozéas chegou aos quarenta e cinco a cinqüenta anos, começou a cair em si, e pela primeira vez pensou na perdição da sua alma, tão comprometida;e, ou fosse que os requintados prazeres lhe desfibrassem as energias da carne, ou fosse que uma grande e miraculosa transformação moral se operasse com efeito em todo o seu ser, o fato é que ele, fulminado de súbito pela consciência dos seus pecados sem remissão, desabou em fundo arrependimento e protestou nunca mais, nunca mais cometer a menor ação que de longe pudesse envergonhar a suaresponsabilidade de sacerdote.
Foi quando numa noite, ao sair ao jardim, encontrou um cesto com um bebezinho (um menino) dentro e achou, que se encaminhasse, aquele menino no bom caminho, sem perdições estaria, fazendo uma grande graça e se livrando da terrível cólera de Deus e assim se redimindo de todos os seus pecado anteriores.
Criou o menino de nome Ângelo fechado na sua religiosa estufa, sem ternem ao menos desconfiança do que se passava lá fora, nessa cidade do prazer e do vício. Cresceu casto como uma flor, que as abelhas e as borboletas não alcançam.
Apenas conhecia a religião e a Bíblia. Até aos vinte anos, fez todos os seus estudos e recebeu as ordens ao lado do pai espiritual. Mas tal era a confiança que o velho Ozéas tinha no seu discípulo, que não hesitou em apresentá-lopara substituir La Rose no sermão de quinta-feira santa na capela real.

III
Ângelo, coitado, nada conhecia disso nem por notícia sequer; como igualmente não conhecia o outro gênero de pregadores, não menos comum nesse tempo, o do pregador terrível, de pulso forte e cabeça dura, que ia para o púlpito de cacete escondido debaixo do capote, e cujos sermões eram por via de regra uma descargapolítica e uma tremenda descompostura, contra o partido dos Jansenistas ou contra o partido dos Molinistas, conforme a filiação do orador, e que, em geral, acabavam também por soluços e gemidos, mas estes agora bem sinceros e bem reais, e grossa pancadaria no átrio da igreja.
Até certa idade, Ângelo chegou a acreditar que o mundo se resumia no seu convento, e que a humanidade se compunhaapenas daquela meia dúzia de frades, ingênuos e quase santos, que ele conhecia. Ozéas, com um cuidado enorme, um zelo de guarda do Paraíso, isolava-o dos seminaristas e dos empregados do seminário, e lhe não deixava cair nas mãos a mais inofensiva página de qualquer livro que não fosse religioso. E com toda a sua inocência virginal, lia o livro Cântico dos cânticos com a maior presteza, sem...
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