A menina que roubava livros e a morte

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A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS – A MORTE PEDE A PALAVRA Gabriela Silva* No lapso de tempo entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes, e em todas, ela saiu ilesa. Os acontecimentos da vida de Liesel, em uma Alemanha tomada pela guerra e pelo nazismo, é que formam o enredo de A menina que roubava livros (do original The Book Thief), romance de Markus Suzak (1975),

publicado em2007. O livro é dividido em 12 capítulos, incluindo prólogo e epílogo. No primeiro capítulo, a narradora nos diz sobre o que é o livro:
É só uma pequena história na verdade, sobre entre outras coisas: - uma menina - algumas palavras - um acordeonista - uns alemães fanáticos - um lutador judeu - e uma porção de roubos. (2007, p. 11)

Depois de perder o irmão caçula, Liesel é deixada pela mãe comHans e Rosa Hubermann, na rua Himmel, uma área pobre de Molching, uma cidade muito pequena nas proximidades de Munique. Hans é um pintor desempregado que toca acordeom para ganhar alguns trocados a mais, uma vez que a guerra reduziu o trabalho de pintor; Rosa é dona-de-casa, juntamente com o trabalho da casa, ela lava roupas para outros moradores da cidade, forma que ela tem de sustentar afamília. Quando Liesel chega à casa dos Hubermann, traz consigo o primeiro livro que havia roubado: O manual do coveiro. Esse foi um dos livros que ela roubaria durante quatro anos. Esse hábito que lhe concedera o apelido: a roubadora de livros. A Morte , que nos tempos de guerra tem muito trabalho, resolve observar Liesel de perto, e é justamente ela que nos conta a história da menina, mesclando formasnarrativas diversas, inserindo histórias dentro de histórias. A Morte apresenta-se:

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas, sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem os seus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os “as”. Só nãome peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo. (2007, p. 9)

*Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS. Bolsista do CNPq.

Durante toda a narrativa a Morte, explica-se a si mesma, sustenta a sua necessidade e sua existência: “Às vezes eu chego cedo demais. Apresso-me e algumas pessoas se agarram por mais tempo à vida do que seria esperável.” (2007, p. 15)Da viagem triste em que perdera o irmão e a mãe, a qual foi embora, Liesel percorre uma nova vida. A vida pobre dos Hubermann, e o peso da guerra transformam Liesel numa menina que anseia pela vida e por coisas melhores. Liesel tem dificuldade com a leitura e os pesadelos que lhe aterrorizam as noites, são acalmados pela presença de Hans o qual lhe auxilia na leitura, lendo os livros enquanto lhefaz companhia antes da chegada do sono. A vida de Liesel é contada paralelamente aos “Os Diários da Morte”, em que a narradora relata o que acontece durante a guerra:

Diário da Morte: Colônia Quinhentas almas Carreguei-as nos dedos, feito malas. Ou então as jogava por cima do ombro. Só as acrianças é que levei no colo. Quando terminei, o céu estava amarelo como jornal em chamas(...) meus braçosdoíam e eu não podia me dar ao luxo de queimar os dedos. Ainda havia muito trabalho a fazer. (2007, p. 295)

Enquanto a Morte trabalha, na rua Himmel, Liesel conhece Rudy Steiner, seu melhor amigo e, por que não dizer o primeiro amor da menina (sentimento que ela evita ao máximo). Rudy é filho do alfaiate e vizinho. Na Alemanha nazista, o ídolo de Rudy era um corredor negro, fato que o tornavaalvo de todas as piadas. Havia também Tommy Muller, o qual por causa de constantes infecções no ouvido, tinha ficado surdo. O passatempo de Liesel, além de roubar frutas e batatas na companhia de Rudy, era o de roubar livros:
Alguns dados estatísticos: Primeiro livro furtado: 13 de janeiro de 1939; Segundo livro furtado: 20 de abril de 1940; Intervalo entre os citados livros furtados: 463 dias....
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