A mao invisivel

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Além do cânon: mão invisível, ordem natural e instituições*
 
 
Antonio Tiago Loureiro Araújo dos SantosI, **; Ana Maria BianchiII, ***
IMestre pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da USP e ex-bolsista da FAPESP. Trabalha atualmente na Secretaria do Tesouro Nacional. E-mail: antonio.a.santos@fazenda.gov.br
IIProfessora Titular da Faculdade de Economia,Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. E-mail: amafbian@usp.br
 
 
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RESUMO
O artigo propõe um entendimento não canônico da mão invisível de Adam Smith, que implicou uma leitura atenta dos textos originais e sua inserção no contexto histórico e intelectual da época. Para atingir esse objetivo, identificamos a conexão entre mãoinvisível e noções correlatas (ordem natural, conseqüências não intencionais) e discutimos o deísmo e o papel das instituições no pensamento de Smith. A discussão é precedida por breve apresentação dos fundamentos comportamentais da teoria smithiana, com a qual procuramos melhor amparar nossas conclusões.
Palavras-chave: Adam Smith, mão invisível, conseqüências não intencionais, ordem natural,instituições
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ABSTRACT
The article proposes a non-canonical understanding of Adam Smith´s invisible hand, which implied a careful reading of the original texts and their framing in the historical and intelectual context of their time. To reach this goal, we identify the connection between the invisible hand and correlated notions (natural order, non-intentionalconsequences) and we discuss deism and the role of institutions in Smith´s thought. The discussion is preceded by a brief exposition of the behavioral foundations of the Smithian theory, in which we looked for a better support to our conclusions.
Key Words: Adam Smith, invisible hand, unintended consequences, natural order, institutions
JEL Classification: B12
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INTRODUÇÃO: SMITH DESCANONIZADO
A mão invisível, expressão difundida a partir da obra de Adam Smith, certamente ocupa posição de destaque na história do pensamento econômico. Trata-se de uma metáfora consagrada na economia, ao mesmo tempo que se afigura fonte de interminável polêmica e controvérsia. Deste modo, parece valer a pena realizar um exame mais detido desta noção,segundo proposta que esclareceremos prontamente.
O estudo de um conceito e de um autor de mais de duzentos anos não é, por certo, empreendimento livre de dificuldades e armadilhas. A distância de seu contexto histórico e intelectual não é pequena, seus textos não são mais (via de regra) sistematicamente lidos na formação-padrão do economista atual; e, mais do que isso, há uma imagem recebida domesmo cristalizada nos cânones da ciência que, mesmo não sendo rejeitável em bloco, certamente constitui obstáculo adicional na aproximação e entendimento das idéias originais do autor.
O conceito de cânon (Bianchi e Nunes, 2002), que pretendemos enfatizar nesta introdução, traz importantes idéias sobre o que buscamos aqui desenvolver. Basicamente, "cânon" pode ser entendido como padrãoou regra, ou ainda como lista ou catálogo. O conceito deixa transparecer importante carga religiosa ou mitológica, instância em que os autores canonizados desempenham o papel de heróis do passado, exemplos a serem imitados. No entanto, "[u]ma vez instituído, o cânon perde sua temporalidade. Em outras palavras, ele liga o presente ao passado de forma unilinear, essencialmente distorcida." (ibid p.162). O autor canonizado fala diretamente ao presente, o que em si não é problema, posto que clássicos constituem fonte permanente de sabedoria.1 A questão é que o autor é descolado de seu tempo, sua voz é descontextualizada, quando não seu pensamento é enquadrado em esquemas teóricos contemporâneos estranhos ao autor original, porém familiares – e, portanto, facilitadores – ao economista...
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