A liberdade em agostinho e seu contraste na conteporaneidade

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  • Publicado : 17 de agosto de 2012
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A LIBERDADE EM AGOSTINHO E SEU CONTRASTE NA CONTEPORANEIDADE

Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de liberdade em Santo Agostinho, contrastando-o com a linha de pensamento contemporâneo do existencialismo. Para Agostinho, a verdadeira liberdade é aceitar a graça de Deus. A capacidade de escolha, o livre-arbítrio, ainda não é liberdade. A liberdade se dá unicamente quandoa vontade se volta para o bem. O livre-arbítrio nos dá a possibilidade de seguir ou não a vontade de Deus, porém, só será livre realmente aquele que, com a ajuda divina, optar por fazer a vontade de Deus. Já no existencialismo, a liberdade é fruto das escolhas de cada indivíduo. O homem é o único responsável por suas escolhas. É ele que se faz em sua própria existência, não estando dependente dealgo externo a ele, transcendente (Deus), não havendo determinismo na sua existência.
Palavras-chave: Liberdade; Livre-arbítrio; Existencialismo.
1 INTRODUÇÃO
Agostinho certamente foi o primeiro Filósofo a conceituar a liberdade humana, desde então a liberdade é tema que perpassa todo discurso filosófico de caráter antropológico. Agostinho, de modo óbvio, visa declaradamente responder umaquestão existencial para a doutrina cristã, a origem do mal. Entretanto, buscando tal resposta, lançou as bases de uma filosofia que poderíamos aqui denominar de Filosofia da ação .
O homem é chamado à responsabilidade de seus atos, a compreender sua responsabilidade nas escolhas que faz. O ser humano deixa a partir deste momento de ser indivíduo tutelado para ser sujeito de sua ação e consequentementeresponsável pelas implicações que advenham de seus atos, emancipando-se, e renunciando a supervisão do sobrenatural, embora tal renúncia só se efetive na filosofia contemporânea existencialista, especialmente no pensamento sartreneano.
O conceito existencialista de liberdade muito difere daquele apresentado por Agostinho. Para este, a liberdade está diretamente ligada ao ato de escolha que eledenominara de livre arbítrio. Esta escolha só se efetiva como verdadeira liberdade quando adere à divindade, fonte da verdadeira liberdade. No pensamento existencialista o homem é plenamente livre, vive o desespero de existir neste mundo e, portanto, de se escolher.
2 Livre-Arbítrio e questão do mal em Agostinho
O pensamento de Santo Agostinho, apresentado na obra “O Livre-Arbítrio” tem poreixo a questão da liberdade humana, concebida como um bem. Entretanto, quando distorcida gera o mal. A procedência do mal é a questão de fundo, sobre a qual se levantará todo o edifício teórico apresentado por Agostinho. Propendendo resolver a questão da origem do mal, ele introduzira o conceito de livre arbítrio, que constitui a sua grande contribuição para a Filosofia. Recordemos que Agostinhoconverteu-se ao cristianismo, portanto professava o criacionismo, colocando Deus como criador de toda realidade sensível. Diante disto, como explicar a “existência” do mal? Será Deus o seu autor? A resposta a este questionamento é vital para o cristianismo e consequentemente para o pensador em questão.
Uma das inquietações do homem em Agostinho é que, mais tarde, tornou-se uma questão de sumaimportância em seu pensamento filosófico-teológico, após sua conversão ao Cristianismo que foi, sem dúvida, o problema do mal, mais precisamente, a respeito de sua origem (COSTA, 2003).
Quiçá, influenciado por sua mãe Monica, que desde sua infância o ensinara que um dos predicados de Deus era a bondade. Ele desejava saber onde se encontravam as razões do mal. Apoiando-se nas concepções doneoplatonismo de Plotino, Agostinho argumenta que o mal não possui uma existência ontológica, como afirmavam os maniqueístas, o mal não é para ele uma realidade que subsiste conjuntamente com o bem. Para Agostinho a única realidade ontológica é o bem, e o mal, apenas sua ausência.
“Nenhuma natureza, absolutamente falando, é um mal. Esse nome não se dá senão a privação do bem”. “Deus, autor das...
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