A leitura e a escrita do som

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A LEITURA E A ESCRITA DO SOM NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Autora: Angelina Marisa Silva

Resumo

Este artigo apresenta as conclusões de uma pesquisa qualitativa na modalidade pesquisa-ação. Objetivou descrever a natureza das relações existentes entre o processo de aquisição da leitura e escrita alfabética, segundo os pressupostos de Emília Ferreiro e as estratégias utilizadas por crianças daEducação Infantil na leitura e representação gráfica do fenômeno musical e sonoro. A pesquisa foi conduzida durante 2 anos, no Instituo de Educação Infantil e Juvenil (Londrina – Pr), escola particular de educação infantil e ensino fundamental, na qual a música é disciplina curricular ministrada por um professor de Música a todos os alunos. A fundamentação teórica faz considerações sobre ideias queapontam a necessidade da leitura em diversas linguagens como pressuposto para o desenvolvimento intelectual e para uma relação mais genuína do indivíduo com os diversos fenômenos com os quais entra em contato na dinâmica sócio-cultural onde está inserido. Focalizando as linguagens verbal e sonora, a análise comparativa entre o registro gráfico do som e a escrita alfabética destas crianças demonstrouque, da mesma forma que a criança se apropria das letras mais significativas para escrever o nome dos objetos, ela utiliza os símbolos musicais com os quais tem contato para grafar os sons que canta ou que fazem parte do seu cotidiano. Com base nessas análises é possível concluir que, se a criança recebeu o mesmo estímulo nessas duas linguagens, as estratégias que ela busca para representargraficamente os fenômenos sonoros e as fases da aquisição da escrita alfabética, apresentam características semelhantes, tanto nos aspectos gráficos como nos processos construtivos da escrita. Observou-se, também, que estas crianças apresentam melhor leitura e compreensão dos fenômenos sonoros com que têm contato. Tais conclusões suscitam a reflexão sobre a necessidade da alfabetização nas diversasformas de linguagem para uma relação mais consciente e real com o ambiente em que vivemos.

Palavras-chave
Leitura, alfabetização, alfabetização musical.

Considerações iniciais
Dos cinco sentidos que nós seres humanos dispomos para interagir com o meio, a audição tem uma característica natural que é a da involuntariedade do ato de ouvir. Ou seja, o ouvido não tem nenhuma membrana ou aparatofisiológico que possamos acionar para impedir que as ondas sonoras entrem pelo canal auditivo ou que as vibrações nos atinjam e transformem os sinais sonoros em sensações perceptíveis pelo nosso corpo. O sentido da audição não pode ser “desligado” à vontade, pois não existem “pálpebras auditivas”. (Schafer, 2001:29)
Estamos simplesmente expostos e não podemos deixar de ouvir os fenômenos sonoros queentram no nosso campo de audição a partir de um certo limiar de frequência das ondas sonoras. Tais frequências estão em torno de 15 ciclos por segundo – ou 15 hertz, estabilizando-se por volta dos 100 hertz e disparando em direção ao agudo até a faixa audível de cerca de 15 mil hertz. A partir de certa altura de frequência, os sons agudos vão
saindo da nossa faixa de percepção e vão perdendointensidade até desaparecer para nós, embora ainda sejam audíveis por um cão, morcego ou golfinho, por exemplo. (Wisnik, 1999: 20-21).
Quando dormimos, nossa percepção dos sons é a última se fechar e é também a primeira a se abrir quando acordamos. Mesmo quando estamos dormindo, os sons ouvidos são analisados e discriminados por uma parte específica do cérebro. Uma experiência neurofisiológicarealizada na Johns Hopkins School of Medicine em Baltimore, nos Estados Unidos, na década de 1990, mapeou respostas cerebrais evocadas pela audição durante o sono em pacientes voluntários. Segundo a pesquisadora Serena Gondeck(1998),
é possível que estas respostas possam formar componentes de um sistema de vigilância. Ao monitorarmos nosso ambiente durante o sono, observamos que um pai pode dormir...
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