A lei simbolica

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  • Publicado : 29 de novembro de 2012
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Há Lei e leis. A Lei simbólica, que rege os homens na condição de seres que habitam a linguagem, e as leis que os homens fazem para regular as relações entre si.


A Lei simbólica é estrutural, ouseja, independente do lugar, do momento histórico e da constituição social. Ainda que não dependa do tempo e do espaço, estrutura ambos, pois estes têm sua base na linguagem. Com sua estrutura delinguagem, a Lei simbólica comparece na cultura por intermédio de suas manifestações e no inconsciente por meio de suas formações – sonho, sintoma, chistes. A Constituição, carta magna de um Estado, asleis, os estatutos e os regimentos institucionais são modalidades de expressão da Lei simbólica na cultura e visam ao enquadramento e a limitação do gozo de uma relação aos demais.


Em psicanálise,a Lei simbólica equivale ao que Freud nomeou como a lei de interdição do incesto, cujo representante é o pai que impede o menino de se deitar com a mãe. O pai apresenta a proibição (da mãe) erestaura uma sanção (a castração) à sua desobediência. O incesto mãe-filho figura o gozo a que o sujeito aspira, o gozo imaginado, desejado, sonhado a que o sujeito não tem acesso em razão da intervenção dainstância paterna, representada pelo Pai simbólico. Este é menos o personagem do genitor que uma instância legal, um puro significante, designado por Lacan como Nome do Pai é um “Não!” que impede ofilho de gozar sexualmente de sua mãe, e esta de utilizar seu rebento como objeto de gozo. É, em outras palavras, o significante da lei simbólica presentificado no Complexo de Édipo.


A estrutura daLei que barra o gozo foi abordada por Freud em dois mitos nos quais encontramos duas versões do pai: o de “Totem e tabu” e o de Édipo. Esses dois mitos indicam duas versões relativas à Lei: oPai-gozo, que está fora da lei, e o Pai-desejo, que instaura a lei, os quais correspondem, respectivamente, ao pai da horda primitiva e ao pai edípico.


Antônio Quinet (psicanalista, psiquiatra, doutor...
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