A jusfilosofia na antiguidade greco- romana: dos pré- socráticos aos helenos

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  • Publicado : 17 de julho de 2012
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A JUSFILOSOFIA NA ANTIGUIDADE GRECO- ROMANA: DOS PRÉ- SOCRÁTICOS AOS HELENOS

RESUMO
O trabalho em tela traz à baila as diferentes concepções de justiça na Antiguidade, expondo seu conceito sob o viés filosófico de pensadores que se sucederam: os pré- socráticos, os sofistas, Platão, Aristóteles e os helenos. Num primeiro momento, proceder-se- á pela evolução histórica do referido conceito,com enfoque nas mudanças da mentalidade de cada época que deram ensejo à reformulação do justo. Num segundo momento, far-se-á uma análise crítica acerca das diferentes concepções abordadas, com especial enfoque a uma linha argumentativa cujo fito é rebater o que os sofistas, como Trasímaco, nos deixaram como expressão da justiça.
Palavras- chave: Pré- socráticos. Sofistas. Platão. Aristóteles.Helenos.

“Onde está o pensar está também o princípio da renovação e da mudança. Nem sempre a mudança é bem- vinda, especialmente para aqueles que se arvoram na condição de conservadores de estruturas reinantes.”
( Eduardo C.B Bittar)

1 INTRODUÇÃO

O conceito de justiça sofreu inúmeras modificações ao longo do tempo, sendo captado por várias civilizações de maneira diferente, que exprimiamseu valor de acordo com a visão, as crenças e os costumes locais.
Para chegarmos à noção que hoje se denomina de justiça, muito sangue foi derramado em lutas históricas e inúmeros foram os embates intelectuais travados em torno de sua evolução, de modo que, na contemporaneidade, seu valor nas Constituições dos países democráticos assenta-se na garantia dos direitos fundamentais universalmenteconsiderados.
Os pensadores que viveram na Antiguidade Clássica, nesse sentido, foram uns dos artífices da humanização da diké, uma vez que lenta e gradativa foi sua transformação, de uma visão inicialmente jusnaturalista cosmológica, presente nos pré- socráticos, até a concepção presente em Platão, que concebia a justiça como virtude do homem, sendo o justo homem que praticava o bem por contaprópria, sem necessariamente seguir qualquer ordem imposta pelo Estado.


2 JUSTIÇA PARA OS PRÉ- SOCRÁTICOS

A tradição jusfilosófica não deixou registros à altura da contribuição que os pré- Socráticos produziram sobre a justiça. Não que os escritos destes pensadores possuíssem nenhum valor para a jusfilosofia, mas pelo fato de que alguns fatores impediram o aproveitamento desse pensamentopelas correntes filosóficas que os sucederam. Para Bittar (2010), as motivações supracitadas foram: a dúvida formada entre os socráticos sobre se o pensamento pré- socrático havia uma doutrina predominantemente considerada. Ao que parece, cada escola do período possuía autonomia própria e propagava seus anseios segundo convicções independentes; a carência de registros históricos sobre a noção dojusto, sobretudo no que diz respeito à atividade dos exegetas do período; não ocorreu a fundamentação de uma justiça universal- tal qual ocorreu na filosofia socrática- posto que os pré- socráticos misturavam a racionalidade humana, os cultos religiosos e o misticismo sincrético; por último, uma corrente abundante de estudiosos afirma que a jusfilosofia herdada até a contemporaneidade teve origementre os sofistas, já que antes não amadurecia o humanismo e a preocupação com a pólis, somente tendo importância a preocupação com a origem das coisas, do universo e a composição da matéria, enfim, tudo o que estava em torno da natureza (phýsis).
Apesar da menor importância atribuída à jusfilosofia pré- socrática, quando comparada às escolas que a sucederam, inegável é sua contribuição para opensamento jusfilosófico formado posteriormente a ela. Para Bittar (2010, p.88) “(..) foi possível localizar uma apurada e já germinativa filosofia ética nos pensadores pré- socráticos tardios( Considere-se Demócrito), que revelam uma contribuição qualitativa e transitiva em direção aos filósofos socráticos de grande revelo.” Nesta passagem, o autor já retrata uma contribuição deixada por uma das...
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