A invisilidade de crianças em situação de rua sob o olhar do economista doméstico

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas: 14 (3495 palavras)
  • Download(s): 0
  • Publicado: 7 de novembro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
A INVISILIDADE DE CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RUA SOB O OLHAR DO ECONOMISTA DOMÉSTICO

Dalilia Maranhão Cardoso1
Sande Maria Gurgel D’Ávila 2
Aline do Livramento dos Santos 3
1.RESUMO

Este estudo apresenta uma reflexão sobre a “invisibilidade” das crianças em situação de rua na cidade de Fortaleza, Ceará. A partir de uma revisão bibliográfica procurou-se apresentar dados sobre essasituação, com foco nas causas e conseqüências desse fenômeno. A partir desse contexto se discute sobre as possibilidades de intervenção do Economista Doméstico nessa realidade e sobre a formação recebida na graduação para atuação em projetos, programas e políticas públicas que incluem essa parcela da população vulnerabilizada.

PALAVRAS-CHAVE: Família, Crianças, Vulnerabilidade.

2.INTRODUÇÃORefletir sobre a “invisibilidade” de crianças em situação de rua na perspectiva de intervenção do Economista Doméstico, a princípio, parece um desafio, mas não deixa de ser importante e emergente tendo em vista que o curso de graduação em Economia Doméstica forma profissionais que devem estar sintonizados com as demandas da sociedade, dando respostas a situações de vulnerabilidade que se apresentampara indivíduos, grupos e famílias em seus diferentes ciclos de vida.
Considera-se essa invisibilidade com o mesmo olhar apresentado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF4 ao afirmar que as crianças invisíveis no Brasil hoje são:
“as 500 mil meninas e meninos que nascem todos os anos e não têm acesso ao registro civil; as cerca de 10 milhões decrianças e adolescentes que vivem no semi-árido em situação de pobreza; as quase 3 milhões de crianças que são exploradas no trabalho infantil; as crianças negras, mais afetadas pela pobreza, pela falta de acesso à escola e pela discriminação; os adolescentes envolvidos no tráfico de drogas; as crianças indígenas, que vivem em comunidades onde a taxa de mortalidade infantil é três vezes maior doque a média nacional” (THE GUARDIAN, 2009).

Enquanto muitos dormem em suas casas, agasalhados e bem confortáveis, milhares de crianças estão à mercê de vários perigos nas ruas do Brasil e do mundo. Essa situação tão visível por todas as cidades do país parece, infelizmente, não chamar mais a atenção da população como antes, fazendo-a esquecer de seu dever junto a esses indivíduos, estabelecidono Art. 227 da Constituição Brasileira:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1988, p. 60).

Por vezes, pode-se ter a impressão de que essas crianças tornaram-se invisíveis, sem identidade, sem qualquer direito ou dever, ou que são filhas e filhos de ninguém. Diante dessa realidade, vislumbra-se a importância de levantar dados sobre esse fenômeno, identificar causas e conseqüências e discutir as ações intervencionistasque podem ser desenvolvidas pelo Economista Doméstico para a minimização dos efeitos perversos sobre a criança. As ações do profissional Economista Doméstico podem acontecer em programas e projetos sociais que visem à assistência as crianças em situação de rua e suas famílias e podem estar ligadas ou não aos Centros de Referência e Assistência Social (CRAS) como espaços onde atividades diversaspodem ser executadas junto a esses grupos vulneráveis para o fortalecimento das relações familiares. É importante lembrar que ações de curto, médio e longo prazo são de responsabilidade de toda a sociedade, especialmente do Estado através do Sistema Único de Assistência Social (Suas), onde cabe a inserção do Economista Doméstico.

3.REVISÃO DE LITERATURA

Vivenciar a rua como meio real de...
tracking img