A inter e a transdisciplinalidade

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A inter e a transdisciplinaridade




Américo Sommerman*


Apresentação no

X Seminário Internacional de Educação


“Interdisciplinaridade como forma de inclusão numa educação mundial”

08, 09 e 10 de junho de 2005 – Cachoeira do Sul – RS - Brasil











A fragmentação cada vez maior do saber


No século XII começou a ocorrer uma grande ruptura na visãocosmológica, antropológica e epistemológica da elite intelectual européia. Ela foi migrando, nos séculos seguintes, de uma perspectiva multidimensional (que chamarei de tradicional) do cosmo e do ser humano, apoiada no mito judaico-cristão e na filosofia platônica, para uma perspectiva e uma teoria do conhecimento cada vez mais racionais e empíricas, o que levou a estrutura circular das disciplinas ( que serealimentavam mutuamente para permitir a compreensão do todo ( a uma redução e fragmentação cada vez maior do saber.

Como resultado dessas rupturas, passa a haver uma separação crescente entre a tradição, a religião, a filosofia e a ciência nos séculos seguintes e, ao longo dos séculos XV, XVI e XVII, alguns pensadores (Copérnico, Bacon, Galileu, Newton), baseando-se em epistemologiasracionalistas ou empiristas, estabelecem os fundamentos da ciência moderna, “ao mesmo tempo quantitativa e experimental” (Galliano, 1979, p. 10).

Além dessa separação entre a tradição,[1] a religião,[2] a filosofia e a ciência, as mudanças nas respostas à pergunta sobre como se chega a um conhecimento verdadeiro, a um conhecimento em que a percepção do sujeito corresponda à realidade do objeto, questãoepistemológica central, levou a uma fragmentação e depois separação crescente das disciplinas.


A epistemologia tradicional no século XII, a racionalista no século XVII e a empirista no
século XIX

Se até o século XIII, as faculdades cognitivas consideradas mais altas ( mais capazes de permitir o acesso ao conhecimento verdadeiro ( eram a contemplação[3], o êxtase (a saída transracional daconsciência e a contemplação do primeiro Princípio e dos primeiros princípios) e a revelação (a ciência ou conhecimento vertido na alma pelo Espírito divino), passou a ser a razão discursiva no século XVII. Esta grande mudança na resposta à questão “O que é o conhecimento verdadeiro?”, que chamarei, seguindo Bachelard[4] e outros, de ruptura epistemológica, apoiou-se, como vimos, numa granderuptura cosmológica e antropológica.

Sofrendo uma influência forte da corrente Nominalista da Escolástica, o racionalismo cartesiano inverteu a ordem tradicional do saber filosófico. Se está propunha uma progressão da física à metafísica, subindo dos sentidos à razão (logos) e desta à inteligência (nous) ( e, nas culturas tradicionais e em alguns filósofos (Platão, Plotino, Proclo, etc.), dainteligência se subia ainda ao êxtase unitivo e à revelação (, com o que se passava do terreno da física ao da metafísica e ao da mística[5] ( e, nas culturas tradicionais e nos filósofos citados, se passava ainda deste terreno ao da teologia, da teosofia[6] ou da mística, o método de Descartes parte do fundamento metafísico, da certeza, do qual deduzirá a física (cf. Lima Vaz, 1991, p. 82).

Asegunda grande ruptura epistemológica ocorreu no século XIX, como uma conseqüência inevitável da ruptura anterior. Se, conforme passou a ser afirmado, não era possível experimentar a transcendência em vida, nem experimentá-la como indivíduo após a morte, achou-se melhor descartá-la completamente e concentrar-se apenas no que era sensível. Começou a tornar-se hegemônico então o pensamento reducionista,ou o monismo materialista, que descartou do sujeito o espírito e ficou apenas com o corpo. O ser humano passou a ser visto como um corpo máquina, análogo ao universo máquina postulado pelo cientificismo e pelo mecanicismo então triunfantes. O universo passou a ser visto como fruto do mero acaso da interação das partículas e o ser humano como fruto da simples “evolução natural”.

Se as posições...
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