A inteligencia da complexidade

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MORIN, Edgar; LE MOIGNE, Jean-Louis. A Inteligência da Complexidade. São Paulo: Petrópolis, 2000.

outrora separadas, como eram a geologia, a meteorologia, a vulcanologia, a sismologia, etc.”(pp. 199-200) “Um outro aspecto da separabilidade, o da disjunção entre o observador e a sua observação, foi colocado igualmente em causa pela física contemporânea. Em microfísica, sabemos, desdeHeisenberg, que o observador interfere com sua observação. Nas ciências humanas e sociais, parece cada vez mais evidente que não existe nenhum sociólogo ou economista que possa reinar, como Sírus, acima da sociedade. Ele é um fragmento no interior dessa sociedade, e a sociedade, enquanto totalidade, está no interior dele.”(p. 200) “O pensamento complexo não substitui a separabilidade pela inseparabilidade –ele convoca uma dialógica que utiliza o separável mas o insere na inseparabilidade.” (p. 200) “O terceiro pilar do nosso modo de pensar é o da lógica indutivo-dedutivo-identitária identificada com a Razão absoluta. A Razão clássica repousava sobre três princípios: da indução, da dedução e da identidade (quer dizer, a rejeição da contradição). A primeira resposta contestatária foi dada por KarlPopper contra a indução, que permitia chegar a leis gerais por exemplos particulares. Popper, justamente, ressaltou que não se podia, em todo o seu rigor, impor uma lei universal, tal como ‘Todos os cisnes são brancos’, pelo único fato de que não se tenha jamais visto um negro. A indução tem incontestavelmente um valor heurístico, mas não um valor de prova absoluta.”(p. 200). “O teorema daincompletude de Gödel mostra por outro caminho que um sistema dedutivo formalizado não pode encontrar nele próprio a demonstração absoluta de sua validade. É isso que mostrou igualmente Tarski na sua lógica semâmtica: nenhum sistema dispõe de meios suficientes para se auto-explicar a si próprio.”(p. 200) “(...) em nenhum caso, existe um metassistema teórico que permitiria ultrapassar nossa condição socialou nossa condição humana, quer dizer, fazer de nós seres metassociais e meta-humanos.” (pp. 200-201) “(...) se nós não podemos nos privar da lógica indutivo-dedutivo-identitária, ela não pode ser o instrumento da certeza e da prova absoluta. O pensamento complexo convoca não ao abandono dessa lógica, mas a uma combinação dialógica entre a sua utilização, segmento por segmento, e a sua transgressãonos buracos negros onde ela pára de ser operacional.”(p. 201) As três teorias

4.1 O paradigma da complexidade “Pensar a complexidade – esse é o maior desafio do pensamento contemporâneo, que necessita de uma reforma no nosso modo de pensar.” (p. 199) “O pensamento científico clássico se edificou sobre três pilares: a ‘ordem’, a ‘separabilidade’, a ‘razão’. Ora, as bases de cada um delesencontram-se hoje em dia abaladas pelo desenvolvimento, inclusive a das ciências, que originalmente foram fundadas sobre esses três pilares.” (p. 199) Os pilares da ciência clássica “A noção de ‘ordem’ se depreendia de uma concepção determinista e mecânica do mundo. Qualquer desordem aparente era considerada como o fruto da nossa ignorância provisória. Atrás da desordem aparente existia uma ordem a serdescoberta.” (p. 199) “As idéias de ordem e de desordem para de se excluir simultaneamente.” (p. 199) “O pensamento complexo, longe de substituir a idéia de desordem por aquela de ordem, visa colocar em dialógica a ordem, a desordem e a organização.” (p. 199) “O segundo pilar do pensamento clássico é a noção de separabilidade. Ela corresponde ao princípio cartesiano segundo o qual é preciso, paraestudar um fenômeno ou resolver um problema, decompô-lo em elementos simples. Esse princípio se traduziu cientificamente, de um lado, pela especialização, depois pela hiperespecialização disciplinar, e de outro, pela idéia de que a realidade objetiva possa ser considerada sem levar em conta seu observador.”(p. 199) “Ora, após um quarto de século, desenvolveram-se ‘ciências sistêmicas’, que...
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