A insustentável utopia do desenvolvimento

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  • Publicado : 3 de dezembro de 2012
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Parte III

A insustentável utopia do desenvolvimento



José Eli da Veiga



Desenvolvimento sustentável indica, entre outras coisas, a extensão da tomada de consciência das elites com os problemas dos limites naturais. Ele precisa ser ecologicamente sustentável.

A tendência tem sido a de aceitar o complemento “sustentável” com mais facilidade. A pergunta que se faz é a seguinte:quais são as razões que devemos achar necessária para a qualificação do desenvolvimento?



Utopia

Utopia no modo mais comum é considerada algo de fantasioso. Nos dicionários apresenta como antônimo de realidade, sonho ou uma ilusão. No sentido filosofo contemporâneo o termo utopia é considerada como um termo do futuro a partir de uma civilização que analise seus projetos, concretiza seusideais e esperanças.



Talvez não haja noção que mais concentre a utopia da sociedade moderna do que a noção de desenvolvimento.

Hayek disse em um de seus termos que o desenvolvimento do industrialismo moderno talvez possa ser deplorado por alguns em varias outras dimensões. Certos valores estéticos e morais foram sem duvidas por ele ameaçados.

Até hoje não existiu diferença entreindustrialismo e desenvolvimento. A ideia de desenvolvimento estará sempre ligada ao processo de industrialização. O liberalismo e o socialismo também são duas faces ideológicas dessa mesma moeda.

Esta utopia entrou em crise depois de ter prestado grandes serviços por dois séculos, aos mais diferentes tipos de formações sociais.



2 – Insustentabilidade

A indústria não poderia se afirmar sem ocrescimento racional do trabalho. Em menos de duzentos anos o trabalho é considerado ao mesmo tempo um dever moral, uma obrigação social e o caminho natural para uma realização pessoal.

Hoje essa ética está envelhecendo, deixou de ser uma verdade em que, para se produzir mais, era preciso trabalhar mais. No primeiro mundo, essa ligação se rompeu entre mais e melhor. As necessidades daspopulações foram atendidas fartamente. Isso aconteceu devido a tremenda mutação técnica que tem sido chamada de “revolução microeletrônica”, consequentemente aumentou brutamente o tempo disponível.

O importante é entender que a transformação tecnológica em curso tornou possível uma diminuição do domínio racional econômico sobre os outros tipos de racionalidades.

Se pode enxergar nitidamente que oplaneta está ameaçado e que precisa de cuidados. Ao mesmo tempo, esses cuidados entram em conflito com a utopia do desenvolvimento. Procura-se solucionar o compromisso entre o industrialismo e o pós-industrialismo. A velha utopia industrialista não é mais sustentável mesmo com os termos a serem decididos por esse compromisso.



3 – O conceito

Será que alguém pode ser contra o “desenvolvimentosustentável”? a dificuldade de conceituar isso, faz com que confundem as definições. Num relatório que redigiram para o departamento ambiental do Reino Unido, publicado em 1989, Pearce, Markandya e Barbier optaram por colocar em anexo uma coleção de definições que certamente interessará bastante as pessoas interessadas. Mesmo assim, uma publicação de um relatório Brundtland, minimizou a confusão.Forneceu uma analise bem mais precisa.

Um exemplo dessa postura pode ser encontrado no suplemento do The Econimist, redigido por Frances Cairncross. Refere-se a uma especia de suposto consenso entre economistas, afirma ser que a melhor maneira de enfrentar o problema ambiental seria garantir que o preços de todos os recursos naturais incorporassem sua escassez de longo prazo, além dos efeitosimediatos provocados por seu uso.

Lançado por Margaret Thatcher, em um discurso marcando a reconversão de Iron Lady para Green Godness diz o seguinte: “ Nenhuma geração tem completo e livre direito sobre a terra. Todas tem um contrato de cessão de uso vitalício com clausula de inteiro restauro”.



Mesmo supondo que tais preços tenham algum sentido, não se pode ignorar a irreversibilidade...
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