A inclusão e as relações entre a família e a escola

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ESPAÇO – Informativo Técnico do INES, no. 11, jun/99, pp.40-43
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A Inclusão e as Relações entre a Família e a Escola
(Mônica Pereira dos Santos)1
Introdução
A perspectiva da relação entre família e escola pouco tem sido tratada na literatura do ponto de vista educacional, e sim predominantemente clínico. Freqüentemente, estas relações têm sido caracterizadas por laços de ‘autoridade’ porparte da instituição escolar, que muitas vezes mais se assemelham a laços de autoritarismo, dado o lugar que a escola ocupa, no imaginário da instituição familiar, de lugar de saber, que lhe confere autoridade sobre rumos e decisões a serem tomados sobre seus próprios filhos.
Entretanto, com o advento da oficialização, em Declaração Mundial, da proposta de Educação para Todos (em Jomtiem, Tailândia,1990), o quadro destas relações tem sido transformado, senão na prática, pelo menos no plano das recomendações. É que a Educação para Todos trouxe à tona o paradigma da Inclusão e, com este, a importância de se analisar os fenômenos educacionais de um ponto de vista múltiplo, que considere todas as dimensões implicadas nos referidos fenômenos. Assim, a família passa a adquirir um outro statusnestes processos: o status de quem não apenas é fonte de origem do alunado, mas também o de quem provê as primeiras formas de relações educativas, ainda que num ambiente não escolar.
Por outro lado, as mesmas mudanças nos cenários internacional e nacional quanto aos rumos da educação no terceiro milênio têm implicado numa reavaliação do papel da escola e da forma como esta se organiza, tanto nosentido de suas respostas às necessidades educacionais dos alunos, quanto no sentido de sua própria identidade enquanto instituição social. Assim é que as instituições escolares têm também passado por uma transformação de seu status: o daquela que muitas vezes acaba ocupando um lugar que ultrapassa os limites da ação pedagógica e da relação ensino-aprendizagem, para ocupar espaços de ordem pessoal queinflui diretamente no cotidiano de seus alunos.
Este artigo se propõe a fazer uma revisão das transformações por que têm passado estas duas instituições sociais (a família e a escola), dentro dos paradigmas da Educação Para Todos, com ênfase especial ao movimento pela Inclusão de alunos que passam por barreiras à
1 Profa. Adjunta do Departamento de Fundamentos da Educação da Faculdade deEducação da UFRJ.
ESPAÇO – Informativo Técnico do INES, no. 11, jun/99, pp.40-43
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aprendizagem, seja por apresentarem dificuldades específicas, deficiências ou quaisquer outros motivos, inclusive de ordem externa ao indivíduo.
Iniciaremos analisando as ‘trocas’ de papéis entre cada uma das instituições. Em seguida, apresentaremos o que dizem as recomendações internacionais a respeito do assunto para,por fim, tentar indicar alguns caminhos que desatem nós nesta relação e promovam, com isso, uma das principais recomendações da proposta de uma Educação para Todos: a de aproximação e parceria entre família e escola.
O Lado Educacional da Família
A família, primeiro berço educacional do ser humano, possui algumas obrigações convencionalmente estabelecidas no seio das sociedades às quaispertencem. Em nossa sociedade, ocidental, alguns papéis que lhe cabem são claramente demarcados inclusive em documentos legais, como por exemplo o Estatuto da Criança e do Adolescente (1992) e a Constituição de 1988.
Nos dois documentos é possível verificar aspectos comuns quanto ao papel da família no crescimento e desenvolvimento de seus filhos, como por exemplo:
-
garantir a escolarização;
-garantir uma criação voltada para a cidadania e uma vida digna;
-
garantir carinho, proteção e afeto.
No entanto, nem sempre estes papéis são cumpridos à risca em muitas sociedades, e os motivos para tal são de ordens variadas. Destaca-se, por exemplo, o caso de sociedades em que as crianças são, desde cedo, retiradas ou impedidas de freqüentar a escola, por terem que trabalhar e contribuir...
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