A importância da filosofia no ensino médio e como aplicar na empresa.

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  • Publicado : 5 de maio de 2011
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Filosofia clinica e educação
Capitulo 1
Filosofia clinica: um instrumental que pode ser útil em sala de aula
O que faz a filosofia clinica?
Quando falo que sou filósofa clinica observo o espanto das pessoas: o que é isso? Eu nunca ouvi falar! Então, a forma mais breve que encontrei para explicar é dizer que a filosofia clinica é uma psicoterapia fundamentada, inteiramente, na filosofiaacadêmica. O filósofo é aquele que busca, constantemente, aproximar-se da verdade, mas tem consciência da parcialidade que sua condição lhe impõe, e por isso, consciência de que seu trabalho será uma busca sem fim, estará em constante movimento.
Na filosofia clinica não há esse objetivo, uma vez que não existem conceitos de normalidade aceitos como verdade. Estabelecer um modelo de normalidade, comvalidade universal, seria o equivalente a assumir uma postura dogmática, cristalizada, e, por isso, antifilosófica. Modos de ser que variam de cultura para cultura, de tempos em tempos. Inclusive numa mesma cultura encontramos uma imensa diversidade de modos de ser e de agir. Por isso, em filosofia clinica, trabalhamos com verdade subjetiva, aliada á verdade por correspondência sem fazermos acritica “escolha”.
Esses questionamentos não são aleatórios, nem há um padrão do que se deva questionar sempre. Nesse sentido, a filosofia clinica difere-se também das experiências de consultoria filosófica e filosofia, por isso consideramos nosso trabalho filosofia, porque ele consiste em compartilhar a vida e as questões da pessoa, pensar junto; por em duvida as verdades a fim de aproximá-ladaquilo que, para ela, venha ser a opção por um caminho.
Não é possível ser totalmente neutro, não fazer nenhuma interpretação. O que procuramos fazer em nosso trabalho é suspender, momentaneamente, nossas “verdades”, tendo a consciência de que essas podem não ser “as verdades” escolhidas pelo outro, essa atitude resultado num incomensurável respeito ao outro, as suas escolhas seu modo de ser.
Secada um tem sua representação de mundo, como podemos, então, viver em sociedade? Esta é a primeira questão. Em filosofia clinica, aprendemos a respeitar a representação do outro, o que não significa aceitá-la, vivenciá-la, mas compreender que o outro pode não ver o mundo da mesma maneira que vemos que somos os “donos da verdade”, que não temos sempre a resposta, que, muitas vezes, a resposta é,simplesmente, “não sei”.
Como educadores, muitas vezes esquecemos que existem outros perspectivas além da nossa, e acabamos impondo nossa representação de mundo aos alunos, assim como modos de ser, de viver, de pensar. A escola, na minha representação, deveria ser “o mundo onde cabem vários mundos”, ou seja, a diversidade deveria ser respeitada a ponto de sermos capazes de ouvir uns aos outros antesde julgar, antes de concluir.
De fato não é possível se o fizermos individualmente mas, por aproximação podemos obter alguns dados. Uma possibilidade é preparar um questionário que apresentados acerca da origem do aluno, das coisas que são importantes para ele, enfim, do que for relevante. Outra possibilidade consiste em pesquisar quais dados do semiose.
Na sala de aula, essa lição da filosofiaclinica pode ser útil para que exercitermos mais o “ouvido atento” tão necessário e tão abandonado no cotidiano. Nesse ponto do trabalho, o filosofo apenas utiliza expressões neutras para manter a pessoa no curso de sua historia, sem saltos lógicos e temporais. Antes de intervir, o professor poderia ouvir atentamente os relatos de seus alunos, para que pudesse ter uma compreensão precisa de suasformas e conteúdos de pensamento.
Não há, em filosofia clinica, tipologias, patologias, conceitos de normalidade e anormalidade, rótulos, estereótipos, teorias prontas. O ser humano é plástico, flexível, e esta inserido num contexto muito especifico: o seu contexto. Ele é único e sem sua historicidade não podemos compreendê-lo. Assim, a filosofia clinica molda-se ao individuo através de uma...
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