A hospitalidade

Páginas: 5 (1079 palavras) Publicado: 26 de maio de 2013
PUCMINAS. FILOSOFIA. PROFA. MAGDA GUADALUPE DOS SANTOS

Jacques Derrida[1] fala da Hospitalidade[2]

A questão do estrangeiro não seria uma questão de estrangeiro? Vinda do estrangeiro. (...) Antes de prosseguir nessa questão da questão a partir do lugar do estrangeiro, e de sua situação grega, limitemo-nos a algumas observações a título de exórdio. Voltemos para aqueles lugares queacreditamos familiares: aos muitos diálogos de Platão, nos quais frequentemente é o estrangeiro (Ksénos) quem questiona. Ele carrega e dispõe a questão. Logo nos lembramos do Sofista. É o Estrangeiro que, precipitando a questão intolerável, a questão parricídio, contesta a tese parmenidiana, questiona o lógos do nosso pai Parmênides. (...) O estrangeiro sacode o dogmatismo ameaçador do lógos paterno: o serque é o não-ser que não é. Como se o estrangeiro devesse começar contestando a autoridade do chefe, do pai, do chefe da família, do “dono do lugar” do poder de hospitalidade.

O Estrangeiro do Sofista parece aquele que, no fundo, deve dar conta da possibilidade da sofística. É como se o estrangeiro aparecesse nos traços que fazem pensar num sofista, alguém que a cidade ou o Estado vai tratar comosofista: alguém que não fala como os outros, alguém que fala uma língua engraçada. Mas o Ksénos (estrangeiro) pede para não ser tomado por parricida. “Eu faria ainda um pedido”, diz o Ksénos a Teeteto, “que é o de não me considerar como parricida”. “O que queres dizer?”, pergunta Teeteto. O Estrangeiro: “é que será necessário, para nos defender, questionar a tese (lógos) do nosso pai Parmênides e,por força, estabelecer que o não-ser é, sob qualquer consideração, e que o ser, por sua vez, de certa maneira não e”.[3]

Eis a questão temida, a hipótese revolucionária do Estrangeiro. (...).

Mas por vezes, o estrangeiro é o próprio Sócrates, o homem perturbador da questão e da ironia (isto é, da questão, o que quer também dizer a palavra “ironia”), o homem da questão maiêutica. O próprioSócrates tem as feições do estrangeiro, ele representa, ele figura o estrangeiro, ele desempenha o papel do estrangeiro que não é. (...)

Na Apologia de Sócrates (17d), logo no começo de seu discurso, Sócrates se dirige a seus concidadãos e juízes atenienses. Ele se defende de ser uma espécie de sofista ou de discursita hábil. Ele anuncia que, contra os mentirosos que o acusam, vai dizer o justo e overdadeiro, sem delicadeza de linguagem. Declara que é “estrangeiro” ao discurso de tribunal, à tribuna dos tribunais: ele não sabe falar essa linguagem de pretória, essa retórica do direito, da acusação, da defesa, postulatória; ele não tem a técnica, ele é como um estrangeiro. (entre os graves problemas de que tratamos aqui, existe aquele do estrangeiro que, desajeitado ao falar a língua, semprese arrisca a ficar sem defesa diante do direito do país que o acolhe ou que o expulsa; o estrangeiro é, antes de tudo, estranho à língua do direito na qual está formulado o dever de hospitalidade, o direito ao asilo, seus limites, suas normas, sua polícia, etc. Ele deve pedir a hospitalidade numa língua que, por definição, não é a sua, aquela imposta pelo dono da casa, o hospedeiro, o rei, osenhor, o poder, a nação, o Estado, o pai, etc. Estes lhe impõem a tradução em sua própria língua, e esta é a primeira violência. A questão da hospitalidade começa aqui: devemos pedir ao estrangeiro que nos compreenda, que fale nossa língua, em todos os sentidos do termo, em todas as extensões possíveis, antes e a fim de poder acolhê-lo entre nós? Se ele já fosse a nossa língua, com tudo o que issoimplica, se nós já compartilhássemos tudo o que se compartilha com uma língua, o estrangeiro continuaria sendo um estrangeiro e dir-se-ia, a propósito dele, em asilo e em hospitalidade:? É este paradoxo que vamos precisar.

O que diz então Sócrates, naquele momento- não nos esqueçamos- em que ele joga a vida e logo vai perdê-la nesse jogo? O que diz ele apresentando-se como Estrangeiro, ao mesmo...
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