A hospitalidade na arquitetura

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  • Publicado : 9 de julho de 2012
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Resenha:
Fernando Freitas Fuão


Nesse ensaio, Fuão apresenta o tema da hospitalidade como o 'lugar outro' da interioridade da arquitetura, o lugar que dá lugar às relações humanas e fundante das cidades. A hospitalidade se estrutura a partir da relação hóspede e hospedeiro, comparando-se ao movimento da collage e seus Encontros, tal como apresentado em "A collage como trajetóriaamorosa", em que as figuras da 'espera' e da 'errância’ desempenham papéis análogos ao hóspede e anfitrião em seu processo de acolhimento

Segundo o autor, Derrida reflete sobre hospitalidade no que diz respeito a uma questão do lugar, convidando o sujeito a reconhecer que ele é, antes de nada, um hóspede. A hospitalidade tira do espaço o tema do espaço, e o relaciona com o indivíduo, como se elepróprio portasse a hospitalidade, o próprio espaço. O sentido não está no espaço ou na arquitetura, mas sim nas próprias pessoas. O autor salienta, porém, que é quase impossível pensar a hospitalidade sem um lugar específico. A interioridade, assim como a hospitalidade, é sempre construída por uma relação de abertura feita de fora para dentro, do que chega para o outro, para constituir assim o dentro.Na arquitetura sempre se constrói o edifício por fora constituindo o dentro, porque o nosso conceito de interioridade se dá a partir do fechamento do corpo, da sua pele, a exterioridade.

Para o autor, a interioridade se dá na borda do outro, e afirma que “Se existe uma interioridade, uma interioridade das coisas, ela só pode estar mesmo fora, fora de si, quase ali no outro, só pode ser ar,neuma.” Para o autor, exteriorizar significa permanecer no território do outro, na interioridade do outro. Hospitalidade é “Dentro e fora ao mesmo tempo, nem dentro nem fora em nenhum tempo.”

A hospitalidade aqui está atrelada ao cuidar, ao amar, uma hospitalidade incondicional,
o lugar onde se trata do outro, morada dos acolhimentos.

Hoje, nossas cidades, bairros e casas se tornarammais hostis. Elementos arquitetônicos como muros, as paredes, as grades, as senhas, dispositivos de controle, são os que promovem essa hostilidade. As cidades perdeu sua confiança e o pacto que se estabelecia para a convivência. Segundo o autor é necessário tratá-la e devolver a ela aquilo que lhe foi retirado pela violência. Hoje, é a rua está em casa, e a cidade esvaziada de qualquer sentido,pois só lhe resta os espectros de violência que sufocam o sentido da beleza pública, da felicidade.

Para Fuão, se faz emergente estudar o tema das aberturas ao mundo, do acolhimento e da hospitalidade no espaço. Não é possível imaginar uma arquitetura sem portas, é preciso a abertura. Não existe casa ou interioridade sem porta. Essa abertura pode ser entendida como abrir um objeto aos outros,mas tambpem como desnudação da pele exposta, a vulnerabilidade de uma pele oferecida, a ferida exposta, também a carícia, ou algo como uma cidade declarada aberta à aproximação do inimigo.

Segundo o autor, a hospitalidade só pode ser oferecida por alguém, num determinado tempo, numa determinada situação, não sendo possível pensar a hospitalidade só em sua relação com o lugar, como fundação. Oautor acrescenta que não é possível pensar a hospitalidade sem o hospedeiro e hóspede, sem aquele que espera a chegada do outro. O lugar que esta em questão na hospitalidade é um lugar que não pertence nem àquele que hospeda, nem ao convidado, mas sim, ao gesto pelo qual um oferece acolhida ao outro. Entretanto, há formas, geometrias que propiciam o acolhimento, enquanto outras são formas queafastam, distanciam. Segundo Fuão, refletir sobre a hospitalidade também é denunciar as formas sutis pelas quais a ética da hospitalidade acaba por servir a outros fins que não são os seus.

Os elementos arquitetônicos da hospitalidade estão relacionados aos lugares de espera e de encontros: a porta aberta e entreaberta, a marquise, o alpendre, as ruas, as praças; de um modo geral a maioria...
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