A heresia dos índios; catolicismo e rebeldia no brasil colonial / ronaldo vainfas. – são paulo: companhia das letras, 1995. cap.2 santidades amerindias (39 a 64)

Páginas: 5 (1174 palavras) Publicado: 16 de maio de 2011
FICHAMENTO

VAINFAS, Ronaldo; A heresia dos índios; Catolicismo e rebeldia no Brasil colonial / Ronaldo Vainfas. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Cap.2 SANTIDADES AMERINDIAS (39 a 64)
1. Brasil – Historia – Período Colonial 2. Idolatria – Brasil – Historia – Brasil Colonial – 3. Igreja Católica – Historia – Período Colonial 4. Índios na America do Sul – Religião e Mitologia 5.Inquisição – Brasil

“De certos em certos anos vêm uns feiticeiros de mui longes terras, fingindo trazer santidade, ao tempo de sua vinda lhes mandam limpar os caminhos...” (Manoel da Nóbrega, 1549)

PROFETISMO TUPI E COLONIALISMO

Vainfas (1995, p.41) trás diferentes pensamentos a respeito da religiosidade entre os nativos da costa brasileira no século XVI.
"Em seu clássico O messianismo noBrasil e no mundo, Maria Isaura Pereira de Queiroz assinalou o clima de efervescência religiosa que grassava entre os nativos da costa brasileira no século XVI, verdadeiras explosões de entusiasmo coletivo que não passaram despercebidas pelos europeus."
Esse entendimento por parte dos europeus se mostra presente nos seguintes trechos que o autor nos trás descrito no texto: "Profetas indígenasiam de aldeia em aldeia apresentando-se como reencarnação de heróis tribais, incitando os índios a abandonar o trabalho e dançar", pois estavam para chegar os novos tempos "que instalariam na terra uma espécie de Idade de Ouro". Segundo Maria Isaura essa Idade de Ouro indicava um tempo e um lugar especifico na cultura tupi-guarani. Um tempo de redenção entre os homens, tempo de se obter a eternajuventude, quando não a imortalidade. Embora a maioria dos cronistas e viajantes quinhentistas percebessem o clima religioso entre os nativos, esses por sua vez preferiam negar a existência de alguma fé vinda destes.
Vainfas trás também a visão de alguns etnólogos dedicados aos estudos tupi-guarani a respeito da busca da terra sem mal. Os colonizadores, segundo o autor, ficaramimpressionados com a descoberta de um dos rituais dos tupis, denominado santidade. Para os índios esta santidade era a constante procura da Terra sem Mal, um espaço sagrado, o tempo sagrado, que se renova eternamente, sem conhecimento de sua origem e fim. Eles buscam a terra prometida (Yvi Mara Ey) neste mundo ou em um paraíso mítico além da Terra. (p.41-2)
Kurt Nimuendaju foi um etnólogo alemão queviveu nos anos 1910 entre os apopucavas-guarani, uma espécie de índios provenientes do Paraguai recém-chegados ao litoral de São Paulo naquela década. Ele quem iniciou com a hipótese de que a mitologia guarani encontrava-se na base do deslocamento das populações nativas, sendo a migração de natureza fundamentalmente religiosa.
A partir disso, muito se tem escrito entre os etnólogos sobre essaTerra Sem Mal tupi-guarani, um assunto recheado de controvérsias. Entrando nesse assunto, o autor trás duas questões essenciais a esse respeito: Primeiramente é se a Terra sem Mal, núcleo da mitologia tupi-guarani, constitui uma estrutura autêntica e originalmente indígena que permaneceu intocada por séculos ou se, pelo contrário, viu-se impregnada de elementos do catolicismo ibérico; E se osmovimentos indígenas de busca da Terra sem Mal documentados desde o século XVI guardaram alguma relação com a expansão colonialista ou se, de outro modo, explicam-se unicamente por razões intrínsecas à cultura tupi-guarani. (p.42)
Baseado nas hipóteses de Nimuendaju e apoiado na vasta documentação quinhentista do mundo colonial ibérico que Albert Métraux interpretou o “entusiasmo místico”(aspeamento do autor) dos tupi-guarani a respeito da chegada dos portugueses e espanhóis na América. Segundo Métraux, na pregação dos profetas índios haviam autênticas aspirações messiânicas ancoradas em suas legendas básicas, que gravitavam em torno da Terra sem Mal. Para ele, foi à busca desse paraíso tupi o estimulador das diversas nações dessa cultura a migrar do interior para o litoral antes que os...
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