A fotografia como discurso

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A Fotografia como Discurso: alteridade, etnografia e comunicação1
Jandré Corrêa Batista 2

Resumo
O presente trabalho versa sobre a importância do uso da fotografia em trabalhos etnográficos, enaltecendo a proposta de Achutti (1997; 2004) no que se refere ao uso da fotografia como instrumento narrativo sobre um estudo concreto: a producação agrícola da Ilha dos Marinheiros (município de RioGrande, Rio Grande do Sul, Brasil)

Palavras-chave: Antropologia Visual; Fotoetnografia; Fotografia.

1. Introdução
Partimos para a realização deste trabalho de uma perspectiva cultural das ciências da comunicação (WINKIN, 1998) baseada no natural diálogo entre comunicação e antropologia, especificamente quanto à dimensão visual do fazer etnográfico. De acordo com Samain (1998), “pensarantropologicamente a comunicação humana significa (...) investigar etnograficamente os comportamentos, as situações, os objetos que, numa comunidade dada, são percebidos como valores comunicativos”. Nesse sentido, opta-se por um olhar cultural sobre a comunicação: não como um processo individual, teleférico, mas como a prática de uma “leitura comunicacional do mundo social” (SAMAIN, 1998 p.10). Neste caso, apartir da utilização do visual – a narrativa fotográfica – como representação da alteridade.
1Trabalho apresentado em junho de 2009 à disciplina Projetos Experimentais II do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas, sob orientação do Professor Carlos Leonardo Coelho Recuero. 2Trabalho realizado quando graduando em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo daUniversidade Católica de Pelotas (UCPel). jandrecb@gmail.com
Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação Ano 3 - Edição 4 – Junho-Agosto de 2010 Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo, CEP: 05508-900 anagrama@usp.br

BATISTA, J.C.

A FOTOGRAFIA COMO DISCURSO...

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Como leitura comunicacional, utilizou-se na presente pesquisa osuporte fotográfico em uma perspectiva antropológica como forma narrativa: a fotoetnografia3. Como delimitação do mundo social para a constituição de um objeto de estudo se abordou os aspectos referentes à agricultura familiar na Ilha dos Marinheiros (município de Rio Grande/Rio Grande do Sul, Brasil). A opção por essa localidade se deu devido principalmente às características culturais peculiares,especialmente no que tange ao processo de produção agrícola. Conforme consta em Achutti (1997; 2004), a fotografia é um ato permanente de fragmentação de elementos de uma determinada realidade em um plano. Segundo o autor, essa característica aliada ao olhar etnográfico é capaz de conduzir ao desenvolvimento de uma forma narrativa mais aprofundada, não se restringindo apenas ao texto na construção desentidos e à fotografia como ferramenta de pesquisa de campo, mas também à imagem como discurso. Sendo possível, na construção de uma narrativa visual, ter-se uma maior eficácia na difusão dos resultados obtidos. Partindo desse pressuposto, apresenta-se o registro fotográfico na Ilha dos Marinheiros, especificamente sobre a produção de hortigranjeiros – de forma a englobar todos os estágios daprodução: desde o preparo da terra, o cultivo, a irrigação, a colheita, a organização do trabalho, o transporte, até o momento da comercialização da produção. Com base na experiência da iniciação do autor no trabalho de campo, a partir dessa discussão pretende-se elucidar uma proposta teórico-metodológica para a utilização de fotografias de forma narrativa em pesquisas etnográficas. Para tanto, nopresente trabalho, conforme definição de Samain (2005), apresentar-se-á a construção de uma narrativa seqüencial (nos moldes de BATESON e MEAD, 1962) registrada naquela localidade insular.

2. Por uma outra forma de contar
A arte de descrever o homem em suas relações sociais, abstraindo-se o conceito4 imoral de “etnografia” do século XIX, iniciou com Bronislaw Malinowski na segunda década do...
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