A flor

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A flor da pele - Margaret Way
Storm Flowers, 1975, Mills & Boon Ltda
A beira do lago daquela maravilhosa fazenda, Catherine ficava longo tempo sozinha,pensando que nada no mundo poderia amenizar sua tristeza, Primeiro, tinha sido rejeitada pela mãe, que a mandou para um colégio caríssimo, mas não aparecia para vê-la nem nas férias. Depois Catherine foi para aquela fazenda de parentesdistantes, na Austrália, e se apaixonou por Coyne, o primo mais velho. Mas, mesmo agora. quando pela primeira vez o amor aquecia sua alma solitária,Catherine não podia alimentar nenhuma esperança: para Coyne, homem feito, a paixão da prima não passava de um entusiasmo romântico da adolescência...

Margaret Way

À Flor da PeleTítulo original: Storm Flower

Publicado originalmente: Editora Nova Cultural – 1980

CAPITULO I

Ellenor olhou em direção à mesa onde seu so- brinho estava curvado sobre alguns papéis, que ele examinava com ar sério e atarefado. Não era o momento indicado para se abordar o problema, mas o que fazer? Ela não tinha escolha. O ano letivo terminaria nasemana seguinte e a garota não tinha para onde ir. Mesmo que tivesse, Ellenor sentia uma necessidade premente de tomar sob seus cuidados aquela pobre órfã. Por breves instantes fechou os olhos. Era uma senhora de cabelos prateados, pele clara e constituição delicada, que encarava a vida com extrema complacência. Era abnegada e sempre dedicara sua vida aos outros, uma espécie de anjo protetor.Coyne, seu sobrinho, continuava atento aos papéis. Ele agora estava um homem feito. Um rapagão bonito, forte e viril, envolto numa aura de poder e autoridade. Não obstante, era um rapaz sensível e bem-humorado, embora ultimamente mal tivesse tempo para outras coisas que não fosse a fazenda. Isso porque, devido à morte de Justin, Coyne herdara a magnífica propriedade, tendo que arcar com o peso detodas as responsabilidades.
Mandala... o vasto império de criação de gado da família Macmillan, no coração da Austrália, no limiar do deserto. Mandala! Ellenor repetiu o nome mentalmente e suspirou fundo, sem fazer barulho para não atrair a atenção do sobrinho. Olhou para a reluzente mesa de mogno, onde ele estava, e relembrou o passado. Ela havia dedicado vinte anos, de sua vida a Mandala,envelhecera ali, dirigindo aquela casa, e, contudo ainda se sentia uma estrangeira numa terra desconhecida. Seu pai costumava dizer que aquele era o lugar mais inóspito, porém, o mais belo da face da terra. Naquela terra estavam os corpos de seu pai e de sua irmã, Sara. Com a morte dela, Ellenor se tornou tutora dos sobrinhos.
Ellenor não podia deixar de concordar que ali daquela região do mundo, tudo eratremendamente vasto, grandioso, forte e exuberante, as cores, as secas, o calor e as enchentes que transformavam tudo de repente num cenário de dilúvio. Para ela a civilização se limitava à fazenda e às construções das redondezas naquela região agreste e sem fim de Mandala, que Coyne conhecia como o palma de sua mão. Tanto poder e riqueza num lugar daqueles! Uma terra atordoante, cheia demiragens, que exercia estranha sedução, como se possuísse o poder de hipnotizar.
Uma vez, há muitos anos, ela se perdeu naquela imensidão e, em apenas algumas horas, chegou às portas da loucura. A sorte foi que dois rapazes da fazenda a encontraram logo, Ela nunca se esqueceria daquele dia, das dimensões assustadoras daquela terra, onde a cor predominante era o vermelho. Enormes rochedos avermelhados,formando gargantas estreitas e aterradoras por onde corriam rios caudalosos; as dunas de areia vermelha do deserto e a incrível cor do céu ao pôr-do-sol. O deserto Peã, que depois das chuvas se tornava impressionantemente belo... Realmente era uma estranha paisagem, aquela! Ela nunca conseguira se acostumar, embora tivesse conseguido sobreviver naquela terra hostil a mulheres... Era uma terra...
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