A filosofa e o mit

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  • Publicado : 3 de junho de 2011
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2 A FILOSOFIA E O MITO
Segundo o dicionário da língua portuguesa Aurélio, 6ª edição, a palavra mito significa “relatos sobre seres e acontecimentos imaginários, acerca dos primeiros tempos ou de épocas heróicas. Narrativa de significação simbólica transmitida de geração em geração, dentro de determinado grupo, e considerada verdadeira por ele. A idéia falsa que distorce a realidade ou nãocorresponde a ela. Etc.” (Aurélio 2004).
A palavra filosofia por sua vez significa “estudo que visa a ampliar incessantemente a compreensão da realidade no sentido de aprendê-la na sua inteireza. Pensamento de filosofo(s), ou obra que o contém. Razão. Sabedoria” (Ernesto).
Ricardo Ernesto Rose diz em seu texto que “o mito tem várias definições, que variam segundo o autor” (Ernesto). Que é “um relatoque oferece uma explicação definitiva; o mito não precisa de justificativa. Ao contrário, é o mito que justifica uma sociedade, uma cultura, um costume” (Ernesto). Ou seja, que “o mito não é para ser criticado ou discutido” (Ernesto).
Já a filosofia essa “é uma narrativa que não oferece uma explicação definitiva, já que a discussão é própria da filosofia” (Ernesto). Ou seja, “que a filosofiasempre precisa se justificar. O próprio ato de filosofar já implica a apresentação de uma justificativa daquilo que vai ser dito. Por ser um processo baseado na experiência e/ou no raciocínio lógico, a filosofia sempre está sujeita a criticas” (Ernesto).
O conceito de "filosofia" sofreu, no transcorrer da história, várias alterações e restrições em sua abrangência. As concepções do que seja afilosofia e quais são os seus objetos de estudo também se alteram conforme a escola ou movimento filosófico. Essa variedade presente na história da filosofia e nas escolas e correntes filosóficas torna praticamente impossível elaborar uma definição universalmente válida de filosofia. Definir a filosofia é realizar uma tarefa metafilosófica. Em outras palavras, é fazer uma filosofia da filosofia. Osociólogo e filósofo alemão Georg Simmel ressaltou esse ponto ao dizer que um dos primeiros problemas da filosofia é o de investigar e estabelecer a sua própria natureza. Talvez a filosofia seja a única disciplina que se volte para si mesma dessa maneira. O objeto da física não é, certamente, a própria ciência da física, mas os fenômenos ópticos e elétricos, entre outros. A filologia ocupa-se de registrostextuais antigos e da evolução das línguas, mas não se ocupa de si mesma. A filosofia, no entanto, move-se neste curioso círculo: ela determina os pressupostos de seu método de pensar e os seus propósitos através de seus próprios métodos de pensar e propósitos. Não há como apreender o conceito de filosofia fora da filosofia; pois somente a filosofia pode determinar o que é a filosofia (Simmel).As definições de filosofia formuladas na Antiguidade persistiram na época de disseminação e consolidação do cristianismo, mas isso não impediu que as concepções cristãs exercessem influência e moldassem novas maneiras de se entender a filosofia.
Os medievais também mantiveram a acepção de filosofia como saber prático, como uma busca de normas ou recomendações para se alcançar a plenitude davida.
Para Descartes, a filosofia, na qualidade de metafísica, é a investigação das causas primeiras, dos princípios fundamentais. Esses princípios devem ser claros e evidentes, e devem formar uma base segura a partir da qual se possam derivar as outras formas de conhecimento. É nesse sentido, entendendo-se a filosofia como o conjunto de todos os saberes e a metafísica como a investigação dasprimeiras causas, que se deve ler a famosa metáfora de Descartes: “Assim, a Filosofia é uma árvore, cujas raízes são a Metafísica, o tronco a Física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências” (Descartes).
Após Descartes, a filosofia assume uma postura crítica em relação a suas próprias aspirações e conteúdos. Os empiristas britânicos, influenciados pelas novas aquisições da ciência...
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