A felicidade

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  • Publicado : 26 de junho de 2011
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A FELICIDADE
Introdução

O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre o conceito de felicidade. O uso desse termo parece-nos bastante vulgarizado em nossa contemporaneidade; constitui motivo de perplexidade ler, em revistas de grande circulação, peças publicitárias, prometendo felicidade a partir de magias, simpatias, oráculos, entre outros, práticas correntes em muitas culturas, devárias épocas, mas envolvidas em mistérios que exigiam esforços e no contexto de rituais, ou processos bem complexos, por serem sustentados em mitologias, religiões, culturas.
Parece que, em nossa cultura da sociedade de consumo, perdeu-se o sustentáculo que garantia a solenidade dessas manifestações culturais e permaneceu o que poderíamos denominar de simulacro, uma festividade/ ritual que prometede maneira imediata amor, dinheiro, sucesso, sem exigir nenhum esforço emocional, ou consistência daquele que será ajudado.
Foi essa perplexidade que nos levou a tentar resgatar esse conceito na História da Filosofia; questões que instigaram foram: Por que essa necessidade de felicidade agora/já? Qual é a imagem de ser feliz que perpassa nosso mundo? Apresentar o sujeito moderno como um vazioávido de conteúdo imediato, como necessidade de consumir prazer também imediato, poderia ter relação com a imagem de ser feliz, com modelos prontos que garantem uma espécie particular de felicidade? Seria possível pensar a noção de felicidade como cultural, ou como intrinsecamente humana?
Sem a pretensão de dar conta de todas essas questões, mas, no intuito de delimitar melhor sua problemática parapoder refletir, enfocamos a questão da felicidade na ótica de Aristóteles, Sêneca e Rousseau.

1. Aristóteles

O primeiro filósofo abordado é Aristóteles, que coloca a questão da felicidade logo no início da “Ética a Nicômaco”, no contexto da explicitação do conceito de bem como finalidade da vida humana; em outras palavras, afirma o sumo bem como fim e a política como a maior das ciências,porque garante o bem humano coletivamente.
Com efeito, toda a reflexão sobre o problema do humano, na Grécia clássica, coloca-se a partir da questão do agir, mas do agir no coletivo. Não é adequado procurar nestas filosofias o bem individual, uma vez que o sujeito, tal como se discute na modernidade, seria impensável no contexto da sociedade grega.
Aristóteles parte de uma constatação básica: todoconhecimento e todo trabalho, ou seja, toda ação humana tem por finalidade o bem, mas não um bem universal colocado acima do agir, nem um ideal a alcançar, porque é claro que, se ele existisse separado do homem, seria inatingível; assim, o que devemos procurar pensar é o bem possível, aquele que se realiza na ação. Por exemplo: a finalidade da Medicina, o seu bem, é evidentemente a saúde; todasas ações que fazem parte dela serão em vistas a esse fim que é o último. Por conseguinte, podemos pensar todas as ações, uma vez que elas se realizam em função de uma finalidade última que é desejada em si mesma.
Qual seria a finalidade humana desejada em si mesma, para a qual tendem todos os atos dos homens? A felicidade: ser feliz é para os homens o bem desejável em si, absoluta eincondicionalmente; portanto, a finalidade da ação. Aristóteles nos diz que a afirmação é banal; no entanto, ele apresenta aqui o problema: O que é a felicidade? Os homens parecem divergir, quando se trata de defini-la. Seria mais fácil se o homem tivesse uma função definida, como para qualquer atividade que tenha uma função na qual o bem se determina pelo "bem feito" (os exemplos que Aristóteles nos apresentasão os artistas e os artífices, como o flautista, o pintor, o carpinteiro, etc). Haveria uma função do especificamente humano? A vida natural é compartilhada com as plantas e os animais; então, a única resposta possível é: a espécie de vida especificamente humana é racional:

(...) e afirmamos ser a função do homem uma certa espécie de vida, e esta vida uma atividade ou ações da alma que...
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