A falácia neoclássica

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  • Publicado : 24 de outubro de 2011
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A Falácia Neoclássica

O objetivo deste texto é apresentar, sucintamente, os modelos teóricos que hoje dominam o mainstream do pensamento econômico, principalmente no que tange à política comercial internacional e sua relação com o desenvolvimento das nações no século XXI. Pretendo, por meio deste, expor a fragilidade das premissas nas quais esses modelos, de inspiração neoclássica, estãoalicerçados - quando comparadas ao mundo real –, além de propor uma alternativa de política comercial externa para o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos, diferente daquela apresentada pelo Consenso de Washington e pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Não é de hoje que o pensamento econômico encontra-se dominado por idéias e modelos da Teoria Clássica, mais recentemente pela suaadaptação, a Teoria Neoclássica, baseada predominantemente em análises de utilidade e abordagens microeconômicas, construídas sobre um forte aparato matemático. Ambas as teorias pregam pouca ou nenhuma intervenção estatal, liberdade comercial entre os países e ênfase no poder do mercado e no seu Equilíbrio Walrasiano – equilíbrio entre oferta e demanda agregada, tanto no mercado de bens como no dosfatores. Com a disseminação e adoção dessas teorias como verdade absoluta por diversos indivíduos, entidades e países, pouco espaço – fora do mundo acadêmico - foi dado às importantes contribuições de outras teorias, como a Escola Austríaca, a Economia Marxista e a Teoria Keynesiana.
Quanto à política comercial, os modelos clássicos e neoclássicos frisavam que era benéfico aos países, tanto centraiscomo periféricos, exporem-se ao comércio internacional, de forma a maximizar o bem-estar dos seus agentes e logo da sociedade como um todo, bilateralmente. Para entender melhor os modelos clássicos e neoclássicos quanto ao comércio internacional, dos quais deriva a conclusão de livre comércio como solução vantajosa para ambos os lados, devemos retroceder até a primeira abordagem clássica sobre otema, a das Vantagens Absolutas de Adam Smith. Segundo o influente economista inglês, um país deveria importar aquilo que produz a custos mais altos que o preço internacional e exportar aquilo que produz a custos mais baixos, absolutamente. Com isso, a tecnologia desempenha papel fundamental, visto que a mesma dita o custo absoluto de produção, e, conseqüentemente, qual produto deve ou não serimportado ou exportado.
Outro economista Clássico, David Ricardo, propôs que a decisão entre engajar-se ou não em trocas internacionais não deveria ser tomada com base em vantagens absolutas, mas sim em vantagens comparativas – hipótese que deu nome à sua teoria. Segundo a Teoria das Vantagens Comparativas, desde que a estrutura produtiva de dois países seja diferente, ou seja, que a relação entreos coeficientes de trabalho utilizado na produção de dois bens seja diferente para dois países, sempre haverá vantagem na abertura internacional do comércio, pois cada país pode especializar-se naquilo que é mais eficiente relativamente, exportando-o em troca do bem que é relativamente menos eficiente, obtendo assim o bem importado por menos horas de trabalho do que se decidisse produzi-lointernamente. Assim como no modelo de Smith, o modelo Ricardiano enfatiza o papel da tecnologia, visto que a mesma determina a estrutura produtiva de cada país, que regula a condição de estabilidade (devem diferir uma da outra), ditando os bens relativamente mais eficientes e ineficientes em que as nações devem especializar-se. O modelo Ricardiano considerava apenas dois países e dois produtos, um únicofator (o trabalho), diferença tecnológica entre os países, equilíbrio na balança comercial e rendimentos constantes.
Posteriormente, com o surgimento da escola Neoclássica, surge outro modelo de política comercial internacional, o modelo de Heckscher-Ohlin- Samuelson (HOS). Segundo esse modelo, as vantagens de expor-se ao comércio provêm da diferente dotação de fatores entre os países,...
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