A face humana da sociologia

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04/02/13

A face humana da sociolog ia - Estadao.com.br

/Cultura
A fac e humana da s oc iologia

O pensador polonês Zygmunt Bauman reflete sobre a sociedade contemporânea e o desafio de
encontrar respostas a problemas que ela mesma criou
3 0 d e a b ri l d e 2 0 1 1 | 0 h 0 0

Laur a Gr eenhalgh - O Es tado de S.Paulo

O polonês Zy gmunt Bauman, com a sabedoria ex tra que os 85 anosde v ida lhe conferem,
cultiv a a v irtude da dedicação, a despeito das distrações temporárias. E ao cultiv ar tal
v irtude, torna ev idente seu apego ao campo de estudos que abraçou há muito tempo: é um
sociólogo em tempo integral. Acredita que suas ferramentas de análise da realidade
precisam estar sempre à mão, prontas para dar mais uma v olta no parafuso das nossas
inquietações existenciais. Dias atrás, ao receber um punhado de questões env iadas por
email pelo caderno Sabático, este senhor de cabelos brancos e jeito de av ô se pôs a
escrev er obstinadamente de sua casa na I nglaterra, enfrentando uma madrugada (insone,
como admitiria) no compromisso de não deix ar pergunta sem resposta. Não queria ser
superficial, ou "perfunctório", acrescentou em tom solene. O retorno aoquestionário não
poderia ter sido mais generoso: o célebre criador do conceito de "modernidade líquida" flui
em reflex ões prov ocantes, desestabilizadoras, feitas sob o signo do ecletismo e da
univ ersalidade, como sempre. Quem lhe conhece a obra, já sabe: pode- se concordar ou não
com suas análises sociológicas, mas permanecer indiferente a elas é difícil.
São mais de 20 títulos publicadosno Brasil
deste professor emérito das univ ersidades de
Varsóv ia e Leeds, num total em torno de 25 0
mil liv ros v endidos. Recentemente chegaram às liv rarias Bauman sobre Bauman, longo
diálogo com o sociólogo inglês Keith T ester, e Vidas em Fragmentos, conjunto de oito
ensaios em torno da sociedade de consumidores; e em junho será lançado 44 Cartas do
Mundo Líquido Moderno, materialepistolar assinado por Bauman e publicado na imprensa
italiana (todos pela Zahar). Aos admiradores do pensador polonês, v ale o lembrete: ele é
um dos conv idados internacionais da série Fronteiras do Pensamento, tendo duas
conferências programadas para Porto Alegre e São Paulo (1 1 e 1 2 de julho,
respectiv amente, mais informações no site www.fronteirasdopensamento.com.br).
P h o to b y L i d ove n o vi n y/On d re j Ne m e c/ i si fa /

A seguir, a v ersão editada da longa noite de insônia. Ao responder às questões que lhe
foram apresentadas, Bauman não toca na influência que Janina, sua mulher, ex erceu sobre
suas ideias e v isão do mundo. Janina Bauman é autora de I nv erno na Manhã, o relato
impressionante de uma menina judia em Varsóv ia, durante a ocupação nazista. T ambémnão chega a citar Gramsci, o pensador que o liv rou da ortodox ia marx ista, lev ando- o a v er
que a ex periência humana é ilimitada e "cultura é a faca que pressiona o futuro". Em
compensação, Bauman nomeia um time de pensadores contemporâneos que o ajudam a
demonstrar por que, na modernidade líquida, estamos condenados a mudar
obstinadamente, carregando e reprocessando incertezas. Notem que otempo todo ele
chama atenção para as nov as formas da desigualdade no planeta e faz um alerta: na
sociedade global, a justiça será obra de acordos, não de consensos.
Quando o senhor ex pôs o c onc eit o de modernidade l íquida, anos at rás,
www.estadao.com.br /noticia_imp.php?r eq = impr esso,a- face- humana- da- sociolog ia,712848,0.htm

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pairou a impressão de pessimismo. I mpressão que hoje parec e c eder a uma
perc epç ão mais ot imist a da real idade: apesar das inc ert ez as do nosso
t empo, podemos c onst ruir uma soc iedade que responda a t udo isso. Afinal ,
não t erá sido sempre assim? Const ruir e rec onst ruir est rut uras seria o nosso
dest ino?
Nossa sina, eu diria... Nós nos encontramos num...
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