A escola de criminologia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1341 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 6 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O grupo de Berkeley surge como reação aos objetivos básicos da escola de criminologia que consubstanciava na formação de técnicos e profissionais treinados para a “luta contra o crime”. Tratava-se do confronto entre os interesses básicos do Estado, em sua política de criação de novos profissionais para o exercício do controle funcional da criminalidade, e os teóricos universitários que queriam aredefinição do próprio objeto da criminologia.

O grupo inglês, por seu turno, parte de uma premissa segundo a qual deve-se buscar a abolição das desigualdades sociais em riqueza e poder afirmando que a solução para o problema do crime depende da eliminação da exploração econômica e da opressão política de classe.

A linha abolicionista tem suas origens na Escandinávia.

Estas trêsvertentes radicais acabam por divulgar idéias novas em sucessivos congressos que têm repercussão nos Estados Unidos, Canadá e em toda a Europa, fazendo com que inúmeros estudiosos passem a integrar grupos de pensadores críticos. Na Itália por exemplo, avultam os nomes de D. Melossi, M. Pavarini, F. Bricola e A. Baratta, á frente de um conjunto de autores a quem se devem vários trabalhos de criminologiaradical, bem como a publicação, desde 1975, da revista La Questione Criminale. Tal grupo fica conhecido como a Escola de Bolonha e, dentre outros objetivos, tinha o de “aprofundar e tentar individualizar uma criminologia de tipo marxista, quer dizer, de colocar o fenômeno da criminalidade no interior de uma teoria do Estado e das instituições”, além de expressar “as linhas de desenvolvimento deuma política criminal do movimento operário” com uma espécie de política criminal alternativa.

Os dois principais livros desencadeadores de todo o pensamento crítico foram concebidos por três autores ingleses: Ian Taylor, Paul Walton e Jack Young.

A premissa de pensamento estava inescondivelmente ancorada no pensamento marxista, pois sustentava ser o delito um fenômeno dependente do modo deprodução capitalista.

Vale dizer o centro das atenções do marxismo em relação á criminalidade é o seu caráter de crítica ao funcionalismo do pensamento criminal. A lei penal nada mais é do que uma estrutura ( também designada superestrutura) dependente do sistema de produção (infraestrutura ou base econômica). O direito, ao contrário do que afirmam os funcionalistas, não é uma ciência, mas simuma ideologia que só será estendida mediante uma análise sistêmica denominada método histórico-dialético. O homem, por sua vez, não tem o livre arbítrio que lhe atribuem, pois está submetido a um vetor econômico que lhe é insuperável e que acaba por produzir não só o crime em particular, mas também a criminalidade como um fenômeno mais global, com as feições patrimoniais e econômicas que todosconhecem.

A crítica feita a todas as teorias é bastante sólida e dura. Quando descreve, por exemplo, o pensamento da Escola de Chicago, comparada as idéias da ecologia criminal com o naturalismo de Spencer. Afirma-se por exemplo, que aquela corrente “utilizou inicialmente o que, em última instância, era uma analogia biológica; pensava-se que a relação simbólica entre as diversas ‘espécies dehomens havia caído em um estado de “desiquilíbrio” , fazendo clara alusão ao pensamento de desorganização social, coração da escola de Chicago. E arrematam os referidos autores: ”quando a analogia biológica na ecologia se traduz em termos sociais, encontramo-nos com uma idéia de ‘organização’, a sociedade geral que identificável de maneira positivista, e com uma imagem de desorganização social dentrode certas zonas residuais ou de transição, desorganização que se define fazendo referência a organização que caracteriza a sociedade dominante. Isto leva implícita a noção de durkheiminiana de anomia, no sentido de que a competência entre indivíduos nas zonas delitivas produz a falta de normas”. Com muita oportunidade assevera Figueiredo Dias e Costa Andrade: “ a criminologia radical é, em...
tracking img