A educação e os novos blocos hegemônicos

APPEL, Michael. A educação e os novos blocos hegemônicos. In: RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da educação. 5 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. (Cap. VII, p.111- 145).
Introdução
Em seu artigo A educação e os novos blocos hegemônicos, o autor retrata claramente que considera uma simplificação do problema tratá-lo somente como ação das elites dominantes para impor seus valores na área daeducação, articulando uma integração entre educação e economia. Para ele, os conflitos que se presenciam atualmente na educação não têm origem apenas na economia: são conflitos culturais, de raça, de gênero, de classe. Ainda nesse artigo, Apple salienta que quatro elementos têm sido importantes na consolidação de uma “modernização conservadora” em educação: o neoliberalismo, o neoconservadorismo, opopulismo autoritário e a ascensão de uma nova classe média profissional. (p. 114).
Neoliberais
Segundo Appel “os Neoliberais são os elementos mais poderosos dentro da restauração conservadora. São orientados dentro da perspectiva do Estado fraco. Assim o que é privado é necessariamente bom e o que é público é necessariamente ruim”. (p. 114). “ Eles contribuem com a ideologia da eficiência, articuladaa partir da noção de custo-benefício, que pode se traduzir da seguinte forma:” o mundo é intensamente competitivo economicamente, e os estudantes, como futuros trabalhadores, devem obter as indispensáveis habilidades e disposições para competir eficientemente e efetivamente”. (p. 115).
Assim, despindo-se os estudantes de sua condição de classe, de gênero e de raça, e as escolas, principalmenteas públicas, de seu objetivo de atender às diferenças, argumenta-se que sua ineficiência não justifica que a sociedade gaste dinheiro com elas.
“Com isso, a falta de investimento nas instituições públicas faz com que a sociedade acredite que escolas públicas nada mais são do que “buracos negros”, onde o dinheiro é jogado, e que a precariedade do ensino não sairá da “mesmice” decadência. Casocontrário, os dinheiros gastos com escolas públicas não ligadas a esses objetivos econômicos são suspeitos”. (p.115). Para eles, a Educação é vista como um produto e Democracia é um conceito inteiramente econômico.
“Há várias iniciativas políticas com influências neoliberais que criam vínculos entre educação e economia”. (p. 116). Um exemplo são as chamadas “escolas para o trabalho” ou cursosprofissionalizantes que têm como foco, educar jovens para trabalharem em indústrias. Isso de fato não é de certo modo algo negativo, porque muitos jovens têm apenas essa alternativa para se inserir no mercado de trabalho. Mas, por outro lado os afasta do chamado Ensino Superior, que daria direitos e oportunidades para esses jovens de entenderem e aprenderem de uma forma mais profunda e completa, aprofissão escolhida.
“Voucher e Choice Plans” são títulos públicos em dinheiro que permitem aos estudantes de escolherem a escola que receberá fundos para os gastos de sua educação. Esses títulos têm seu valor monetário fixado e são resgatados por ocasião do registro do diploma obtido.
“Há uma segunda variante do neoliberalismo. Ela aceita gastar mais dinheiro público e/ou privado com escolas se, esomente se, as escolas forem ao encontro das necessidades expressas pelo capital.” (p. 119).
O Neoliberalismo “pinta um quadro positivo” em relação à economia mostrando que os empregos tecnologicamente avançados substituirão os trabalhos penosos, a extinção do desemprego por simplesmente deixarmos o mercado solto sobre nossas escolas e crianças. Mas, não é bem assim.
Esse mercado no qual, osneoliberalistas querem inserir a população, onde eles dizem que é remunerado está longe de ser um trabalho altamente qualificado e que tenha um grande nível educacional. Os empregos remunerados propostos na verdade, são aqueles que são mal pagos e repetitivos, além de não exigirem grande conhecimento, não dão direito algum ao trabalhador.
Neoconservadorismo
Segundo Appel, “Neoconservadorismo...
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