A drenagem do tempo: o instante eterno da fotografia

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Universidade Federal do Rio de Janeiro
Escola de Comunicação
Tatiane Machado
DRE 112039684
Rio de Janeiro, 29 de junho de 2012
EC2 2012.1
História da Comunicação
Prof. Beatriz Jaguaribe

A drenagem do tempo
O instante eterno da fotografia.

“A fotografia é uma descobert maravilhosa... uma ciência que atraiu os maioes intelectos, uma arte que excita as mentes mais astutas– e uma que pode ser praticada por qualquer imbecil.”
- Nadar (1853)

Desde sempre, quando ouso me envolver com a fotografia e até me arriscar com um olhar que busca o despercebido do cotidiano, me surpreendo contemplando o instante. Mas então o que seria a fotografia se não um recorte eternizado de um instante? A pequena fração de tempo onde o olhar se encanta e destaca dali a sua arte.
Antesde uma abordagem atual mais significativa, gostaria de voltar um pouco no tempo e buscar em teóricos do século XIX algumas referências sobre o estudo e a origem da fotografia. Citarei, em primeiro, Walter Benjamin (séc XIX) que diz ser fotografia “a imagem que se cristaliza ao ser arrancada do fluxo contínuo da história”. A fotografia, nessa época recém descoberta e sériamente questionada comoarte, desconsiderava o instante em sua abordagem de tempo, visto que a exposição para se compor uma fotografia necessitava de horas. No fim do século, surge o obturador (1874, futuramente aperfeiçoado por uma companhia alemã) e as placas de gelatina seca (40 vezes mais sensíveis que as placas anteriores). Nessa época, já se era falado sobre ‘fotografia instantânea’.
A história da fotografia émarcada por saltos em sua tecnologia que a levava cada vez a tempos menores de exposição. Por menores que sejam, a duração ainda é um intervalo de tempo com início e fim e que demora. O ato fotográfico aqui se desprende do fluxo temporal, e faz da fotografia um momento eternizado pelo clique. Essa eternização do tempo imperceptível constrói na imagem o reflexo do agora-futuro e o recorta do tempocorrente da história. Retornando a Benjamin, ele diz “Bastava apertar um dedo para fixar um acontecimento por um período ilimitado de tempo. A máquina comunicava ao instante, por assim dizer, um choc póstumo”
Retomo daqui, meu próprio pensamento quanto ao instante. Não que discorde veementemente das citações, mas para mim ainda há um encato maior no ato de fotografar do que pensadores do século XIXpoderiam expressar. Quero que este trabalho se encaminhe pela sensibilidade da fotografia, seja em qual época for, e não por uma busca contínua de explicação pelo desconhecido.
A construção de uma fotografia pode se dar de várias formas. Desprendo-me aqui da noção de retrato e passo a falar exclusivamente da fotografia de recorte (paisagem, detalhe, arquitetura, natureza... enfim, o congelamento do(meu) instante no tempo). Por muitas vezes, o instante surge do nada. Ele simplesmente aparece ali, como se dissesse “Estou aqui!” bem diante do olhar, uma quase súplica pela eternidade. Em outros momentos, ele se esconde muito a fundo, numa viela escura de uma cidade vazia. Esses, quase sempre passam despercebidos.
O caráter do instante na fotografia pode ser entendido através de uma passagem naobra de Maurício Lissovsky:
“Aquilo que a fotografia congela é espaço, e não tempo. O instante deixa de ser a interrupção artificial da duração e passa a ser produzido por ela, gestado em seu interior. E o instantâneo fotográfico deixa de ser uma imagem desprovida de tempo e passa a ser uma forma particular em que o tempo se manifesta pelo vestigio de seu ausentar-se, pelo seu modo de refluir.”E ainda:
“A origem da fotografia, que só com a fotografia moderna manifesta-se na sua plenitude, é esse refluir do tempo. Ela é a duração própria do ato fotográfico e o modo como os fotógrafos facultam ao instante o seu advento. Na duração da espera, o tempo devém instante. O desafio dos fotógrafos modernos foi durar diferentemente, esperar diferentemente. E em cada um dos modos de espera...
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