A cultura do espelho em telejornais e telenovelas

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  • Publicado : 27 de dezembro de 2012
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A cultura do espelho em telejornais e telenovelas

Natália Alcantara

Resumo

A televisão é um dos meios de comunicação que mais encanta o homem. Por apresentar uma série de imagens em movimento cria um campo de força do desejo de ver e ser visto. Esse vínculo ocorre porque dá a sensação ao telespectador de que a ficção imita a realidade, como se fosse um espelho. O que causa esse efeito éa maneira com que é feita a linguagem dos programas sendo sempre centrada na repetição da estrutura, seja em um telejornal ou em uma telenovela.

Desenvolvimento

Por ser feita de imagens, a televisão acaba sendo considerada como um meio de comunicação mais confiável. E é nesse contexto que muitas vezes a realidade e a ficção se confundem na visão do telespectador. Isso porque a linguagemutilizada para a divulgação de informações, programas ficcionais e espetaculares, e publicidade são constantes e muito parecidas.

Segundo a psicanalista Maria Rita Hehl (1995 p.172) é por haver essa linguagem repetitiva em diversos produtos da televisão que os níveis de discursos se confundem. A similaridade do discurso televisivo acaba sendo parte do imaginário daquele que vê, o que permite comque seja criada uma relação do sujeito com o real, onde há a fusão da imagem televisiva com os conteúdos dos discursos regidos pela realização dos desejos. A partir daí fica clara a fala de Adauto Novaes quando afirma que ao produzir um programa de televisão seus autores costumam trabalhar em cima das emoções do telespectador.

Desse modo pode-se concordar com a autora B. Sarlo ao dizer que “asociedade vive em estado de televisão”. E nesse instante, cria-se a cultura do espelho, quando “a televisão (...) reflete seu público e nele se reflete”. E a imagem que está sendo refletida por mais que seja superficial, acaba sendo admirada e desejada por muitos. Isso torna ainda mais difícil distinguir o que é real daquilo que é ilusão.

É possível explicar essa situação através do texto clássicode Adorno e Horkheimer sobre a Indústria Cultural, onde se justifica essa afinidade entre a realidade e a ficção. Os pensadores da Escola de Frankfurt falaram na época especificadamente sobre as produções cinematográficas, mas pode ser aplicado também a questões do telejornal e da telenovela. Eles disseram que “o mundo da rua é o prolongamento do espetáculo encenado no cinema”, ressaltando que “avida não deve mais poder se distinguir do filme”.

Quando as telenovelas ganham histórias e sentidos parecidos com que se apresentam nas matérias exibidas nos telejornais, faz com que o telespectador se reconheça. Marcondes Filho explica a semelhança na maneira com que se produz o telejornalismo ao dizer que “jornalismo é um canal que informa diariamente o que acontece pelo viés que otelespectador quer ouvir” e a telenovela “(...) constrói-se exatamente aquilo que o público gostaria de ver”.

Assim se trabalha ainda mais com o jogo de imagens e duração das cenas, a câmera se aproxima para pegar o melhor ângulo, mostrar a melhor versão e fazer com que a cena tenha mais significado do que uma palavra. Mostra pessoas, ambientes, conta histórias e mexe com o maior número de emoçõespossíveis.

Como no espelho, onde duas imagens se cruzam “sobre a mesma trama de paixões, codificada há décadas a nova televisão dos últimos anos aplica a cerzidura de remendos que assinalam a realidade: corrupção política, Aids, excessos sexuais, homossexualidade, negociatas públicas e privadas”. De repente, acabam trazendo “para a teledramaturgia os assuntos em pauta nos programas noticiosos.”(SARTO, 1997, p.65).

Mauro Wilton adverte, no entanto, que há de se ter um limite para que essa fusão entre realidade e ficção dê certo: “na hora que a telenovela é só reportagem, é recusada pelo público. Na hora em que é só ficção, não atrai, não tem poder de sedução.” (Apud FAERMAN, 1998, p. 80). Já quando o assunto é telejornal, o telespectador gosta quando a história contada é apresentada...
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