A cuiabá do anos 1940

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  • Publicado : 10 de outubro de 2011
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A CUIABÁ DOS ANOS 1940

Nesse primeiro capítulo, que tem como foco a cidade de Cuiabá na década de 1940, no contexto em que se encontra nosso objeto: o Cine- Teatro- Cuiabá, buscamos averiguar, a ideia e a representação do processo de modernização da capital, a fim de reconhecer, através de práticas e representações coletivas, mudanças nas sociabilidades da cidade. Para tal intento, lançamosmão da metodologia de pesquisa da história oral através de quatro entrevistas com diferentes personagens cuiabanos que vivenciaram nosso período estudado. Vale ressaltar que, nossos entrevistados estarão presentes também nos demais capítulos deste trabalho. Compreender o passado que estas pessoas constituíram em suas rememorações da cidade e do cinema se tornou primordial para nosso estudo.
Deacordo com Verena Alberti, a história oral pode ser definida como um método de investigação científica, como uma fonte de pesquisa ou como uma técnica de produção e tratamento de depoimentos gravados. Para a autora:
“A entrevista de história oral permite também recuperar aquilo que não encontramos em documentos de outra natureza: acontecimentos pouco esclarecidos ou nunca evocados, experienciaispessoais, impressões particulares etc.”
A utilização de entrevista com recurso metodológico, inicialmente empregado por pesquisadores de outras áreas do conhecimento, como a antropologia e a sociologia, passou a ser praticada pelos historiadores que, com base nessas experiências, aprenderam a dar os primeiros passos nesse caminho ora trilhado por múltiplos pesquisadores. Trabalhar com fontesorais na perspectiva da história, significa trabalhar com lembranças, com o processo de rememorização, desvendar outro caminho que leva ao passado, a memória, um passado continuamente revisto pelas vivências e experiências que acumulamos ao longo da vida. E nessa abordagem, a memória deve ser vista com um caminho de acesso ao passado e como instância mediadora para a compreensão do passado.
Levamosem consideração, com o devido cuidado, a seguinte ressalva de Paul Ricouer de que:
Um tênue equilíbrio precisa ser mantido na utilização da memória na recuperação da história, sem perder de vista as exigências dos três níveis da operação historiográfica destacados por esse autor: nível documental, nível explicativo/compreensivo e nível da representação da escrita.

Seguindo esta operação,fizemos nossa representação escrita baseada nas memórias e lembranças dos entrevistados. Abre-se aqui, um parêntese para destacarmos as implicações em se trabalhar memória e lembranças, uma vez que:
A memória não deve ser tomada como um guia seguro para o passado, mas pode, fundamentalmente, nos fazer compreender como esse passado vai recebendo significados atribuídos pelo entrevistado, e, ainda,como essas significações se articulam para configurar sentido as experiências.

A diferenciação entre lembrança e memória é feita por Astor A. Diehl quando este diz que “lembrança é apresentada aqui como vivências fragmentadas, como rastros e restos de experiências perdidas no tempo, como pegadas do passado, praticamente impossíveis de serem atualizadas historicamente.
De acordo com ValterFerreira da Silva Júnior, isso poderia vir a romantizar o passado, contudo, pode ser plausível uma construção historiográfica com um conjunto significativo de lembranças para uma análise coerente. Já a “[...] memória significa, aqui, experiências consistentes, ancoradas no tempo passado facilmente localizável. Memória possui contextualidade e é possível de ser atualizada historicamente.”
A memóriaé vista então como representação produzida pela experiência, formando tradições e constituindo-se como saber ao invés de rastros, é construída tanto individual como coletivamente e, por isso, possui contextualidade podendo ser atualizada historicamente.
Na memória coletiva, Maurice Halbwachs enfatiza que: “[...] haveria então memórias individuais e se quisermos, memórias coletivas. Em outros...
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