A crise, o desemprego e alguns desafios atuais*

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A crise, o desemprego e alguns desafios atuais*

Ricardo Antunes**
Resumo: Este texto pretende indicar algumas das tendências presentes
na crise atual e de que modo ela afeta intensamente a esfera do
trabalho em escala global, seja por meio da erosão do trabalho contratado
e regulamentado, seja pelo advento ou intensificação das mais
diversas formas que encobrem mecanismos de maiorexploração do
trabalho, seja pela ampliação do desemprego estrutural. Além de
apresentar algumas das presenças mais destrutivas em relação ao trabalho,
o texto mostra como os capitais transnacionais buscam, nessa
processualidade crítica, ampliar ainda mais o desmonte da legislação
trabalhista. Por fim, esboça o desenho de um modo de vida alternativo,
indicando alguns de seus principais mecanismos.I. Uma nota sobre a crise atual
Estamos presenciando, no meio do furacão da crise global do sistema
capitalista — que vem atingindo o coração do sistema capitalista,
ou seja, o conjunto dos países centrais do Norte do mundo
—, a erosão do trabalho contratado e regulamentado, herdeiro das
eras taylorista e fordista, que foi dominante no século XX e que está sendo
substituído pelas diversasformas de “empreendedorismo”, “cooperativismo”,
“trabalho voluntário”, “trabalho atípico”, formas que mascaram frequentemente
a autoexploração do trabalho. E presenciando também a explosão do
desemprego estrutural em escala global, que atinge a totalidade dos trabalhadores,
sejam homens ou mulheres, estáveis ou precarizados, formais ou
informais, nativos ou imigrantes, sendo que estes últimossão os primeiros a
ser penalizados.
Recentemente, numa manifestação de trabalhadores britânicos havia um
cartaz que estampava os seguintes dizeres: “Empreguem primeiro os trabalhadores
britânicos”. Esta manifestação era contrária à contratação de trabalhadores
imigrantes italianos e portugueses. Na Europa, Japão, Estados Unidos e em
tantas outras partes do mundo, manifestações semelhantesse espalham.
E, além dessa precarização estrutural do trabalho, aumenta de modo intenso
o desemprego mundial. A OIT, com dados que são moderados, em recente
relatório projetou 50 milhões de desempregados ao longo deste ano. Bastaria
uma que uma das grandes montadoras dos Estados Unidos fechasse e teríamos
muitos milhares de novos desempregados.
Na Europa, os jornais listam diariamentemilhares de novos desempregados.
Os dados da OIT ainda acrescentam que cerca de 1,5 bilhão de trabalhadores
sofrerão forte erosão salarial e aumento do desemprego nesse próximo
período, conforme o Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009.
Na China, com quase 1 bilhão de trabalhadores ativos, 26 milhões de
ex‑trabalhadores rurais que estavam trabalhando nas indústrias das cidades
acabam de perderseus empregos e não têm como encontrar trabalho no campo.
Uma nova onda de revoltas começa a se espalhar pela China.
Na América Latina a OIT antecipou que, devido à crise “até 2,4 milhões
de pessoas” poderiam “entrar nas filas do desemprego regional em 2009”, somando‑se
aos quase 16 milhões hoje desempregados. E isso sem incluir o
“desemprego oculto”, que esconde as taxas reais de desemprego(Panorama
Laboral para América Latina e Caribe, janeiro de 2009)
Nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Grécia, Portugal, os índices de
desemprego que acabam de ser divulgados são os maiores das últimas décadas.
É por isso que empresários pressionam, em todas as partes do mundo, para
aumentar a flexibilidade da legislação trabalhista, com a falácia de que assim
preservam empregos. Masseria suficiente lembrar que nos Estados Unidos,
Inglaterra, Espanha e Argentina, para dar alguns exemplos, essa flexibilização
foi intensa e o desemprego só vem aumentando.
II. A precarização estrutural do trabalho
E neste contexto, caracterizado por um processo de precarização estrutural
do trabalho, que os capitais globais estão exigindo o desmonte da legislação
trabalhista. E flexibilizar...
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