A crise economica

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A crise de 2008 e a economia da depressão
Paul Krugman (org.)
rio de Janeiro, Campus, 2009
A crise financeira internacional, evidenciada
a partir da crise no mercado imobiliário norte-americano, conhecida apenas como a crise de 2008,
não parecia ter razões de existir em economias de
mercado. Assim acreditava cada vez mais a sabedoria convencional exposta por diversos economistas, muitosdeles laureados com o Prêmio Nobel de Economia. Tudo indicava que os ciclos
econômicos estariam razoavelmente domados e
que as boas práticas monetárias e fiscais seriam
suficientes para evitar algo como a Grande Depressão dos anos 1930. Bastava que as autoridades
monetárias seguissem uma meta de inflação e adotassem um único instrumento para tal, a taxa de
juros. Preços de ativos financeiros ereais seriam
complexos demais para uma autoridade monetária
julgar quando haveria bolhas. “Exuberâncias irracionais” seriam punidas pelo próprio mercado,
sem maiores efeitos sobre o “lado real” da economia. A crise de 2008 mostrou outro lado dessa
história e o livro de Paul Krugman (A crise de 2008
e a economia da depressão, Editora Campus, 2009)
faz um criterioso e didático balanço do que asautoridades econômicas faziam e o que elas se esqueciam de fazer.
O que se sabe das crises financeiras é que elas
são muito diversas em suas origens e nas suas consequências. Na literatura econômica, há pelo menos três modelos de crises financeiras, mais associadas com crises cambiais: modelos de primeira
geração, de segunda geração e de terceira geração.
No primeiro modelo, destaca as crisesprovenientes dos problemas do balanço de pagamentos.
A raiz dos problemas de balanço de pagamentos seria um déficit orçamentário do governo,
considerado exógeno e financiado por crédito doméstico. As autoridades monetárias conseguem
administrar uma dada paridade cambial até o limite mínimo de reservas cambiais, quando a crise
supostamente ocorreria. Aqui, a crise aconteceria
por erro depolicymakers em anunciar uma paridade cambial supostamente não crível com sua
política econômica doméstica. Talvez por isso mesmo, em um balanço amplo sobre as diversas crises
financeiras internacionais, Krugman declara: “Até
bem pouco tempo, e talvez até agora, se você dis180

sesse ‘crise financeira’, a reação instantânea decerto seria ‘América Latina’” (p. 31).
Contudo, os economistasformalizaram a
possibilidade de ataques especulativos autorrealizáveis, em modelos com múltiplos equilíbrios no
mercado de câmbio. Em situação de ataque especulativo contra a moeda doméstica, as autoridades
tentariam acomodar os impactos de um nível mais
baixo de taxas de câmbio. É nesse período de ajuste que o ataque pode se autorrealizar. Assim, diferentemente dos modelos de primeira geração quepreveem políticas fiscais expansionistas ou rápido
crescimento monetário e de crédito, taxas de câmbio cada vez mais sobrevalorizadas e constante
redução das reservas cambiais, no modelo de segunda geração, mesmo sob bons fundamentos da
política econômica, haveria um ataque autorrealizável racional. Neste modelo de segunda geração,
os mercados financeiros parecem errados, e por
isso provocam acrises cambiais. Esse parece mais
o caso da crise do mecanismo de taxa de câmbio,
do Sistema Monetário Europeu (1991-1992).
O desastre asiático, tido por Krugman como
parte do “alerta ignorado” parece caber mais no
modelo de terceira geração de crise. Neste caso, a
crise está diretamente relacionada a problemas de
informações assimétricas, seleção adversa e moral
hazard, o que acabou porgerar problemas do tipo
balance sheet mismatch, particularmente entre
bancos. Na verdade, crony capitalism, definido
formalmente como garantias governamentais implícitas para devedores corporativos e bancos fracamente regulados tem sido a inspiração por trás
da abordagem de terceira geração de crise cambial.
Já neste modelo de crise cambial, muito provavelmente os agentes econômicos erram,...
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