A crise economica mundial e a teoria marxista sobre a crise.

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 33 (8153 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 21 de maio de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
A CRISE ECONOMICA MUNDIAL E A TEORIA MARXISTA SOBRE A CRISE.
NOTAS DE PESQUISA

Apresentação

A crise econômica mundial de 2008 constitui o ponto de partida deste estudo sobre a natureza dessa crise e as explicações sobre suas determinações oferecidas no campo da teoria marxista. O objetivo do estudo é avaliar e tentar avançar o conhecimento sobre a estrutura, a dinâmica e a história docapitalismo na perspectiva marxista, implicando, nesse mesmo processo, a crítica das vertentes de pensamento que se propõe como este conhecimento na atualidade. As crises econômicas, por fazerem parte intrínseca da dinâmica do capitalismo, acentuam as contradições desse sistema. Esta análise é fundamental para uma tomada de posição política com base no nível de consciência e de organização da classeoperária cujos interesses são antagônicos aos da classe capitalista. Na medida em que nos situamos no interior deste campo é inevitável, portanto, examinar as teorias sobre as crises também em suas conseqüências políticas. Serão examinadas, sob a forma de notas de pesquisa, as teorias elaboradas por Paul Baran e Paul Sweezy que sustentam até o momento as posições do grupo editor da revista MonthlyReview e por François Chesnais, num espectro que abrange o marxismo ocidental dos dois lados do Atlântico. O elemento comum entre as duas teorias é a assunção de que após 1974 o capitalismo entrou numa fase de estagnação, com crescimento lento, desemprego elevado e especulação financeira.

Rio de Janeiro, julho de 2010. Eduardo Stotz1 e Ivaldo Pontes2 Especial para o Portal do Centro VictorMeyer

1

Eduardo Navarro Stotz, graduado em ciências sociais (IFCS-UFRJ) e pós-graduado (mestrado) em História (ICHF-UFF), pesquisador do Centro de Estudos de História da República, do Museu da República. 2 Ivaldo Pontes Filho, professor adjunto da Universidade de Pernambuco.

2
NOTA 1 – A crise econômica mundial e a teoria do capital monopolista

A crise desencadeada na “sexta-feira negra”de 15 de setembro de 2008, em decorrência da decisão do Tesouro dos Estados Estudos da América de não socorrer o grupo Lehman Brothers Holdings Inc.3 e o subseqüente pedido de concordata dessa empresa, tomou a forma de uma crise financeira mundial no centro dinâmico ocidental (EUA, União Européia) do capitalismo (Gontijo e Oliveira, 2008). Tanto as autoridades governamentais como os economistasburgueses insistiram no caráter financeiro do fenômeno e, portanto, do caráter “não sistêmico” da crise, devido a associação com as instituições de crédito vinculadas às hipotecas imobiliárias (crise do subprime). Contudo, como as análises situadas no campo do marxismo apontaram, as raízes da falência financeira deviam-se às características da economia capitalista como um todo desde o desfecho daúltima e mais grave crise, a chamada recessão econômica mundial de 1974. Na perspectiva analítica da esquerda, examinaremos a vertente do marxismo ocidental representada pelos editores da revista Monthly Review, John Bellamy Foster e Fred Magdoff. Utilizaremos como referência para o estudo o capítulo final do livro The Great Financial Crisis: Causes and Consequences (Monthly Review Press, 2009),traduzido e publicado na página http://www.resistir.info Após apresentar a evolução e as interpretações oficiais da crise do sistema financeiro americano, os autores mostram como essa dimensão apareceu com nitidez na chamada “armadilha da liquidez”. Resumidamente: em virtude da desconfiança de inadimplência generalizada, os bancos deixaram de fazer empréstimos, preferindo a segurança do dinheiro vivoe a busca de proteção na compra de títulos de Tesouro dos EUA fez baixar a taxa de juros para uma fração de 1%, tornando-a inútil como instrumento de regulação financeira. A taxa nominal quase igual a zero é a expressão da “armadilha da liquidez”. Para evitar o colapso de todo o sistema econômico e, portanto, uma depressão nos moldes daquela desencadeada pela crise de 1929, exigiu mais do que...
tracking img