A crise dos alimentos, a lei de segurança alimentar e as fragilidades do cenário brasileiro

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Revista Educação Agrícola Superior
Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior- ABEAS - v.22, n.1,p.7-12, 2007

A CRISE DOS ALIMENTOS, A LEI DE SEGURANÇA ALIMENTAR E AS FRAGILIDADES DO CENÁRIO BRASILEIRO
Zezineto Mendesde Oliveira1, Anny Kelly Vasconcelos2, Frederico Campos Pereira3, Ricardo Pereira Veras4

1- Doutorando da Universidade Federal de Campina Grande.zezinetomendes@uern.br 2- Doutoranda em Armazenamento da Universidade Federal de Campina Grande. annykellyv@hotmail.com 3- Mestrando da Universidade Federal de Campina Grande. fredcampos2000@yahoo.com.br 4- Mestrando da Universidade Federal de Campina Grande. rpveras@oi.com.br

RESUMO O presente trabalho faz uma análise sobre a crise dos alimentos e suas conseqüências para a humanidade. Em um cenário globalcaracterizado por incertezas econômicas, de abastecimento e de crises financeiras, a questão alimentar toma proporções nas discussões internacionais, como um fator que deve ser considerado nas políticas de produção e de comercialização dos países industrializados e dos que estão em processo de desenvolvimento. A substituição da produção agrícola tradicional, ou seja, aquela voltada para a produção dealimentos; pela produção direcionada aos biocombustíveis, está determinando uma nova realidade no mercado de alimentos em nível global. Em que, essas substituições estão pressionando a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional, aumentando o custo de vida das sociedades em desenvolvimento e pondo em risco as sociedades mais pobres. É um cenário de incertezas, que provoca váriosquestionamentos, e este trabalho se desenvolve fazendo uma análise sobre essa questão da crise dos alimentos que é de interesse de toda a humanidade. Palavras-chave: crise dos alimentos, desenvolvimento, biocombustíveis.

INTRODUÇÃO
Notadamente observa-se nos dias de hoje a clara preocupação das instituições e dos países no que diz respeito à crise alimentar no mundo atual, em que acontecem inúmerasmanifestações por parte dos mais diversos órgãos internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), que tentam achar saídas para essa realidade que assola principalmente os países mais pobres e em desenvolvimento, alertando o mundo sobre esse iminente e preocupante problema que, sem dúvida, afeta uma expressiva parte dahumanidade. Essa preocupação é válida, quando observamos que a maior matriz produtora de grãos, mais notadamente o milho, que tem como maior produtor mundial os Estados Unidos da América, destinando grande parte de sua produção para o uso desse cereal para a produção do biocombustível. (ANDREOLLI, 2007), Forçando a alta não só do milho, mas de toda a gama de commodities agrícolas, como a soja, otrigo e o arroz, desencadeando um efeito cascata em outros mercados, que fazendo uso do protecionismo, garantem o abastecimento interno de seus países, adotando medidas restritivas às

exportações, diminuindo a oferta dos alimentos, aumentando a especulação de investidores internacionais, resultando no aumento dos preços no mercado mundial. Um exemplo dessa realidade foi o que aconteceu com adisparada nos preços dos produtos agrícolas, ou commodities, que impulsionou demasiadamente o aumento dos preços nos últimos anos, tendo sido causada pelas barreiras impostas por países asiáticos às exportações. Somado a tudo isso a produção de etanol americana a partir do milho também influenciou e muito a alta dos preços ( PIMENTEL & PATZEK, 2005). Fazendo uma análise comparativa com a situaçãobrasileira, percebemos uma razoável tranqüilidade, pois nosso país se encontra hoje na condição de exportador de grãos, o que, em princípio, poderia deixá-lo um pouco distante dessa crise. Em 2006 foi criado o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN, com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada, e dá outras providências, através da Lei Nº 11.346 de 15 de...
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