A crise do euro - irlanda

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  • Publicado : 12 de dezembro de 2012
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A situação financeira da Irlanda está no topo da agenda de um encontro entre autoridades da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre temores de que uma crise na economia irlandesa possa desencadear um contágio no resto do continente, o governo tem sido pressionado a aceitar ajuda do bloco comum. Leia a seguir as principais questões envolvendo a crise financeira na república.Qual é em síntese o problema com a economia da Irlanda?
Apelidada de "tigre celta" por causa do seu elevado ritmo de crescimento econômico, a Irlanda foi do boom ao desastre financeiro em um espaço de apenas três anos.
Muito da expansão do período pode ser atribuída à expansão do mercado imobiliário, que desde 2008 se retraiu dramaticamente.
O preço dos imóveis caiu entre 50% e 60% e osempréstimos de risco - sobretudo na forma de crédito para as construtoras - se acumularam no portfólio dos principais bancos do país.
Só para ajudar essas instituições foram necessários recursos de emergência da ordem de 45 bilhões de euros (mais de R$ 100 bilhões), o que deixou um déficit no orçamento do governo irlandês equivalente a 32% do PIB neste ano.
As finanças do país também estãosendo afetadas pela queda na arrecadação de impostos. A diferença entre o que o governo gasta em serviços públicos e o que recebe em impostos e taxas atinge o insustentável patamar de 12% do PIB.
À medida que a economia se retrai, cresce o desemprego e aumentam os temores de que o país esteja à beira de uma volta à recessão.
Por que a crise irlandesa preocupa outros países?

A situaçãofinanceira da Irlanda preocupa especialmente aos países financeiramente menos sólidos da zona do euro, como Espanha e Portugal, que também estão com as finanças apertadas.
O temor é que esses países não sejam capazes de pagar os seus credores, que por sua vez tendem a restringir os empréstimos.
O maior impacto dessa desconfiança é a elevação dos custos de empréstimos no mercado internacional.
Porora, esta não é uma preocupação da Irlanda, que se diz plenamente capacitada a honrar seus pagamentos até pelo menos meados do ano que vem.
Entretanto, outros países têm recorrido ao mercado para levantar recursos e assim são afetados pelas incertezas que rondam as contas públicas irlandesas.
Se recursos dessas instituições forem usados, a Grã-Bretanha pagará uma parte da conta.
Por outrolado, se a economia irlandesa colapsar, as empresas britânicas perderão negócios de um cliente que compra delas mais mercadorias que Brasil, Rússia, Índia e China juntos.
A Irlanda insiste em que não precisa de ajuda. É verdade?

É verdade que o governo acredita ser capaz de honrar todos os seus compromissos até meados do ano que vem sem a necessidade de ir ao mercado para levantar recursos.Além disso, nas ruas é comum perceber de muitos irlandeses uma certa relutância em aceitar o pacote da ajuda da UE.
A república se orgulha de sua solvência e de sua independência financeira, e uma ajuda europeia seria vista como sinal de uma humilhante dependência em relação ao bloco.
O ministro irlandês das Empresas, Batt O'Keeffe, sintetizou este sentimento ao afirmar que "a soberania do nossopaís foi conquistada a muito custo e o governo não abrirá mão dela em favor de ninguém".
A Irlanda teme que, junto com a ajuda da UE, venham condições como a elevação de seu imposto sobre pessoa jurídica que, em 12,5%, é um dos principais instrumentos para atrair investimentos externos.
Por outro lado, uma grande preocupação são os bancos privados. Como vários foram parcialmentenacionalizados, a dívida que era das instituições também passou a ser assumida pelo governo.
Estes bancos estão tendo dificuldade para levantar empréstimos no mercado e dependem do suporte do Banco Central Europeu.
Uma estimativa do banco britânico Barclays Capital indica que mais de 10% de todos os empréstimos e financiamentos feitos pelos bancos irlandeses - em outras palavras, os seus ativos - estão...
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