A crise da modernidade e da subjetividade privatizada

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  • Publicado : 3 de agosto de 2011
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A crise da modernidade e da subjetividade privatizada
O estudo cientifico dos aspectos psicológicos só se inicia no momento histórico em que o homem se percebe ao mesmo tempo experimentando sentimentos aparentemente únicos e particulares- sensação de ser detentor de uma subjetividade privada- e esta experiência privada é questionada, entra em crise.
“Ter uma experiência da subjetividadeprivatizada bem nítida é para nós muito fácil e natural:todos sentem que parte de suas experiências são íntimas, que ninguém tem acesso a elas.(...) Ainda com maior freqüência temos a sensação de que aquilo que estamos vivendo nunca foi vivido por mais ninguém, de que a nossa vida é única, de que o que sentimos e pensamos é totalmente original e quase incomunicável.” (Figueiredo, 1991a:16-17)
Estaexperiência de subjetividade privatizada em geral só ocorre em momentos sócio-historicos de crises, quando os valores, as normas e os costumes são questionados e surgem novas alternativas; neste processo os homens se perguntam sobre os caminhos a seguir, quais seus sentimentos, quais critérios utilizar para tomar decisões. A perda de referencias coletivas,como religião, “raça”, o “povo”, a família, ouuma lei confiável obriga o homem a construir referencias internas. Surge espaço para a experiência da subjetividade privatizada: quem sou eu, como sinto, como desejo, o que considero justo e adequado. Nessa situação o homem percebe que ele é capaz de tomar decisões que é responsável por elas.
Ao longo dos séculos as experiências da subjetividade privatizada foram se tornando cada vez maisdeterminantes da consciência que os homens têm de sua própria existência.
Podemos dizer que nossa noção de subjetividade privatizada data aproximadamente dos últimos três séculos: da passagem do Renascimento para a Idade Moderna. O sujeito moderno, teria se constituído nessa passagem e sua crise viria a se consumar no final do século XIX.
Por um lado a perda de um domínio sobre o homem dá uma sensaçãode liberdade, mas por outro, o deixa perdido e inseguro. Nesse contexto o homem viu-se obrigado a escolher seus caminhos e arcar com as conseqüências de suas decisões, havendo assim uma valorização cada vez maior do “homem” que passou a ser pensado como o centro do mundo.
Assim o mundo passou a ser considerado cada vez menos sagrado(domínio e mais como objeto de uso a serviço dos homens.
Oscéticos achavam impossível obter algum conhecimento seguro sobre o mundo. A descrença cética somada ao grande individualismo gera duas feições bem distintas: a reação racionalista e a reação empirista. Ambas procuram estabelecer novas e mais seguras bases para as crenças e para as ações humanas, e procuravam essas bases no âmbito das experiências subjetivas.
Já no século XVI surgiram tentativas deconter e circunscrever as ações dos homens. É como se houvesse o desejo de voltar ao mundo medieval, em que uma única ordem reinava.
Tendo o dom da Liberdade o homem pode ser recompensado se fizer um bom uso dela e punido caso se deixe perder do bom caminho. Coloca-se a imposição de dirigir essa liberdade com muita disciplina a um caminho reto.
A maior parte dos estudos sobre a modernidadecostuma identificar como seu marco de inicio o pensamento de Descartes, o fundador do racionalismo moderno que utilizou o instrumento cético: a dúvida. Conforme a dúvida se aprofundam, Descartes se vê cada vez mais acuado, até imaginar a existência de um “gênio maligno”, capaz de engana-lo em toda e qualquer idéia que fizesse do mundo. Descartes inverte a questão e acredita ter superado a dúvida. Elediz: parece que tudo o que tomo como objeto de meu julgamento se mostra incerto, mas no momento mesmo que duvido, algo se mostra como uma idéia indubitável; enquanto duvido, existe ao menos a ação de duvidar, e essa ação requer o sujeito. Daí nasce a famosa frase: “penso, logo existo” a vidência agora é um “eu” e ele será a base do fundamento de todo conhecimento.
No século XVIII, a quase...
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