A “crítica forte” da ciência e implicações para a educação em ciências

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A “CRÍTICA FORTE” DA CIÊNCIA E IMPLICAÇÕES
PARA A EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS
The “strong criticism” of Science and the implication to
Science Education
Ileana María Greca1
Olival Freire Jr.2
Resumo: Neste trabalho discutimos alguns elementos oriundos tanto do que se pode denominar vagamente de tendências pós-modernas na filosofia, quanto do campo da história social e da sociologia das
ciências,e as possíveis implicações dos mesmos para a pesquisa e a educação em ciências. Nossa avaliação
é que, independentemente do problemático de alguns de seus pressupostos, estas correntes têm a contribuir para a nossa compreensão da ciência e para a formação de cidadãos mais responsáveis.

Unitermos: pós-modernismo; crítica à ciência; sociologia da ciência; educação em ciências.
Abstract: In thisarticle we discuss some issues from what can be termed vaguely postmodernists tendencies in
philosophy and social history, trying to establish some implications from these positions for Science Education.
Although problematic aspects exist in their assumptions, we think they may contribute to our understanding of
science and help us to prepare more responsible citizens.

Keywords:postmodernism; Criticism to Science; sociology of science; Science Education

Introdução
A Educação em Ciências, como campo de investigação acadêmica, recebe sistematicamente influência e contribuições de saberes muito diferenciados, que vão desde as inovações
nas próprias ciências, incluindo as ciências sociais e a psicologia, até ramos diversos das humanidades, como a educação, a História e aFilosofia das Ciências. Esta influência, contudo, não
é isenta de problemas e de controvérsias. O investigador da Educação em Ciências não pode,
por isso, se furtar da avaliação do significado dessas contribuições e do modo de sua incorporação ao Ensino de Ciências. No que diz respeito às contribuições oriundas da história e da
filosofia das ciências, por exemplo, uma fase de desenvolvimentosmutuamente excludentes,
para usar a expressão de Duschl (1985), foi substituída por outra, vigente hoje, na qual se reconhece amplamente o papel dessas contribuições para o ensino das ciências. Entretanto, especialmente na fase atual, certas contribuições com forte dose de crítica da ciência contemporânea – oriundas tanto do que se pode denominar vagamente de tendências pós-modernas na
filosofia, quantodo campo da história social e da sociologia das ciências – têm sido vistas com
muitas desconfianças pelos educadores, inclusive por muitos dos que defendem com ênfase a
contribuição da História e da Filosofia para o ensino de Ciências. Tais contribuições são vistas
como exemplos de relativismo e de idealismo que poderiam prejudicar o desafio da generalização da educação em ciências. Uma revisãocrítica de tais opiniões será feita na primeira parte
desse trabalho. A seguir, apresentaremos e analisaremos o pensamento de Boaventura de Sousa
Santos relativo à possível mudança de paradigmas na própria ciência. Desse autor tomamos
emprestada a expressão “crítica forte” do paradigma dominante na ciência, para o título do
nosso trabalho. Sousa Santos foi escolhido tanto pelo interesseintrínseco de suas propostas e por
sua influência nas Ciências Humanas, quanto pelo fato de estar no centro de uma polêmica
1
2

Instituto de Física – UFRGS – Porto Alegre. (e-mail: ileana@if.ufrgs.br)
Instituto de Física- UFBA – Salvador. (e-mail: freirejr@ufba.br)

343
Ciência & Educação, v. 10, n. 3, p. 343-361, 2004

Ileana María Greca e Olival Freire Jr.
que guarda certa relação comopiniões correntes no âmbito do ensino de ciências.
Argumentaremos que o pensamento de Boaventura de Sousa Santos tem implicações que são
independentes de sua aposta em mudança paradigmática da ciência; e exploraremos possíveis
temas para a Educação em Ciências que possam decorrer desse pensamento. Argumentaremos,
ademais, na terceira parte deste trabalho, que as contribuições da história...
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