A contribuição da psicopatologia na formação do psicólogo

Páginas: 13 (3072 palavras) Publicado: 15 de outubro de 2011
A CONTRIBUIÇÃO DA PSICOPATOLOGIA NA FORMAÇÃO DO PSICÓLOGO
(Texto apresentado no Encontro de Psicologia da UFSJ. São João Del Rey, 29 de novembro de 2003)

A palavra "Psico-pato-logia" é composta de três palavras gregas: "psychê", que produziu "psique", "psiquismo", "psíquico", "alma"; "pathos", que resultou em "paixão", "excesso", "passagem", "passividade", "sofrimento", "assujeitamento","patológico" e "logos", que resultou em "lógica", "discurso", "narrativa", "conhecimento". Psico-pato-logia, seria, então, um discurso, um saber, (logos) sobre a paixão, (pathos) da mente, da alma (psiquê). Ou seja, a psicopatologia é um discurso representativo (logos) a respeito do pathos psíquico (1); um discurso sobre o sofrimento psíquico.

Para o grande filósofo grego Platão, o médico éaquele que está sempre atento ao pathos, à paixão, pois as doenças apresentam-se como o excesso das paixões. O médico cuida de Eros doente. Doente pelo excesso. (Ou, na linguagem psicanalítica, pelo excesso pulsional.) Terapéia, em grego, é o cuidado exercido sobre Eros doente. O terapeuta é o que deve restabelecer o equilíbrio pulsional para que Eros, doente pelo excesso, seja liberado desseexcesso. O acometido pela paixão, o paciente, o passivo, o portador de sofrimento psíquico, é aquele que padece de algo cuja origem ele desconhece e que o leva a reagir, na maioria das vezes, de forma imprevista. A paixão atesta sempre, para usar um jargão lacaniano, nossa permanente dependência ao Outro; um ser autárquico não teria paixões.

As tentativas de compreensão, estudo e tratamento dosofrimento psíquico, ou seja, de "decompor" este sofrimento em seus elementos básicos, deram lugar a várias metapsicopatologias, cada uma com referênciais próprios e diferentes perspectivas teórico-clínicas. (Para Freud (2) a "psico-análise" é uma análise no mesmo sentido que a química dá ao termo. Ou seja, a decomposição, a análise, dos elementos que constituem "os sintomas e as manifestaçõespatológicas do paciente".)

A expressão Psicopatologia deu nome ao que muitos médicos faziam, principalmente na França, na Alemanha e na Inglaterra, durante todo século XIX, inaugurando a tradição médica que se manifesta, até hoje, nos tratados de psiquiatria e de psicopatologia médica. O aparecimento da Psicopatologia, como disciplina organizada, se dá com a publicação da Psicopatologia geral de KarlJaspers, psiquiatra e filósofo, no início do século XX. Jaspers visava descrever e classificar, de forma minuciosa e sistemática, as doenças mentais.

Hoje, o termo "psicopatologia" encontra-se associado a um grande número de disciplinas que se interessam pelo sofrimento psíquico. Isso trouxe um problema, por vezes uma impossibilidade, tanto de diálogo intercientífico entre as diferentesabordagens teóricas, quanto de confrontação crítica dos modelos por elas utilizados, o que evidencia que o fenômeno psíquico não é redutível a uma única forma discursiva.

A tentativa mais conhecida para superar os impasses criados pela pluralidade de leituras do pathos tem o seu expoente máximo no DSM-IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana) e no igualmentereputado CID-1O (Classificação Internacional de Doenças). Ambos propõem oferecer uma definição empiro-pragmática das entidades nosográficas (3). Busca-se, acima de tudo, "o ideal de um acordo mínimo com relação à delimitação formal e operacional das categorias diagnósticas empregadas" (4). Objetiva-se a criação de uma nomenclatura única que forneça uma linguagem comum a pesquisadores e clínicos dediferentes orientações teóricas. Uma abordagem feita unicamente a partir da observação direta dos fenômenos em questão; um sistema de classificação independente de qualquer a priori teórico. Isso significa deixar de lado os problemas etiológicos e centrar-se na nosografia. A grande crítica que se faz a esta abordagem é o fato de não levar em conta a subjetividade tanto daquele que está sendo...
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