A classe operaria

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Adorado por seus superiores por ser um trabalhador extremamente dedicado e odiado pelo mesmo motivo por seus colegas de trabalho, Lulu vive entregue aos sonhos de consumo da classe média, alienado em meio aos movimentos de protesto de sua classe, até que um acontecimento põe em xeque suas opiniões.http://melhoresfilmes.com.br/filmes/a-classe-operaria-vai-ao-paraiso1972.http://www2.uol.com.br/mostra/30/p_exib_filme_355.shtml

Lulu é um operário metalúrgico, que perde um dedo em acidente de trabalho e é envolvido em movimento de protesto. Descobre assim a vida sindical. Ele divide-se entre as tentações da sociedade de consumo e as convocações da esquerda tradicional, numa radiografia do impasse ideológico de muitos trabalhadores. Ganhou o prêmio David di Donatello 1972 de melhor filme,além da Palma de Ouro no Festival de Cannes 1972.http://www2.uol.com.br/mostra/30/p_exib_filme_355.shtml

O processo de conscientização política do operário Lulú é o eixo do filme, que de forma dialética, consegue fazer aflorar as contradições da condição do trabalhador sem cair na armadilha do filme panfletário. Ao mesmo tempo que Lulú se politiza é influenciado pela sociedade de consumo . Suasreferências no processo de politização são três: o discurso extremista dos estudantes, a postura moderada e pragmática dos sindicalistas e, sobretudo, seu velho companheiro de trabalho, Militina, que devido ao trabalho da fábrica acabou enlouquecendo, indo parar em um manicômio.A alienação do trabalho no capitalismo é exposta de maneira brilhante na conversa de Lulú e Militina, onde este, em sua‘loucura’, lembra-se do questionamento que fazia sobre a utilidade das peças que produziam. Ainda Militina é a principal referência na utopia que dá nome ao filme: o muro que precisa ser derrubado, dando acesso ao paraíso para todos os operários.A discussão de Lulú com o líder estudantil após ter sido demitido expõe a dificuldade em aproximar o discurso de esquerda da vida cotidiana dostrabalhadores: o coletivo se sobrepõe ao individual em uma sociedade onde o individualismo está arraigado.O filme só entrou em cartaz no Brasil no início dos anos 80, quando ocorria um afrouxamento da censura da ditadura militar, justamente no momento que renascia o movimento operário brasileiro com as greves do metalúrgicos do ABC.http://patuska.multiply.com/reviews/item/344

A classe operária não chegouao paraíso. Pelo menos não naquele início dos anos 70, época de revoluções proletárias pelo mundo. A experiência soviética, chinesa, cubana, oferecia uma fresta, para os milhões de trabalhadores vitimados pelo capitalismo, respirar. Hoje podemos enxergar as injustiças e incoerências do socialismo praticado, entretanto em 1971, quando o italiano Elio Petri filma "A Classe Operária Vai Ao Paraíso",havia esperança. 
É Lulu que com sua grande destreza e impressionante poder de concentração dita o ritmo de trabalho para os demais operários, estabelecendo as metas a serem atingidas pelos colegas.
A postura de Lulu no trabalho, de carrasco para os outros operários e de subserviência ao patronato, traz uma série de contradições que ele vivencia em boa parte do filme. Os colegas no trabalho ochamam de “puxa-saco” do patrão, e ele incomodado com a acusação pergunta em casa à sua mulher: “Acha que sou um puxa-saco?” ao que ela responde: “Comigo não”. Lulu têm uma atitude de submissão ao patrão, ao capital, a quem lhe paga o suado salário. Aos colegas que questionam as altas metas que são exigidas e que ele deveria se empenhar em ao invés de aumentá-las, diminuí-las, responde tão somente:“não inventei o sistema”.
Em relação aos demais operários, sua postura é de desprezo, considera-os uns preguiçosos por não serem iguais a ele. Evita dirigir-lhes a palavra quando trabalha, acha que conversar conduz à distração e o faz perder dinheiro: “Entre uma fala e outra são 30 liras a menos”, diz a um novato que se apresenta a ele. Ao mesmo tempo, Lulu tem consciência de que o seu...
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