A classe operaria vai ao paraiso

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  • Publicado : 7 de novembro de 2012
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O FILME
No filme "A classe operária vai ao paraíso", de Elio Petri (Itália, 1971), Lulu Massa é um operário consumido pelo capital e cujo trabalho estranhado consome sua vida. A fábrica adota sistema de quotas (metas) que intensifica a produção. Lulu é o operário-padrão da fábrica, sendo hostilizado pelos outros companheiros de chão de fábrica. Após perder um dedo na máquina, Lulu adota umaatitude critica ao modelo de exploração, confrontando a gerencia. Os operários (situação e oposição sindical) contestam as cotas. Após uma greve, Lulu é demitido. Depois de negociações, ele consegue ser readmitido na fábrica, voltando à linha de produção e reintegrando-se ao coletivo de trabalho. Por conta da mobilização operária, o sistema de cotas é revisto pela direção da fábrica. Deste modo,podemos caracterizar a estrutura lógico-explicativa da analise critica do filme de Elio Petri a partir de dois importantes eixos: primeiro, produção de mais-valia relativa (inovação técnico-organizacional do capital), desvalorização da força de trabalho como mercadoria, degradação do trabalho vivo (saúde do trabalhador) e resistência contingente e necessária do proletariado. Segundo, capital consometrabalho vivo e trabalho estranhado consome vida. Os dois eixos explicativos da estrutura narrativa do filme constituem os traços essenciais do que seria a precarização (e precariedade) do trabalho no capitalismo global.
Autor: Giovanni Alves
Formato: CD-ROM



No sistema produtivo capitalista, entretanto, o trabalho, para uma grande fatia da população, deixa de possuir taispossibilidades e expectativas e se consolida, na verdade, como fonte de desprazer, causando tensão e sofrimento, não permitindo a criatividade e até mesmo o usufruto de seus resultados. Todos estes motivos consolidam um tipo de trabalho, chamado por Marx de trabalho alienado, haja vista, que se baseia na exploração do tempo de trabalho do trabalhador e divide sua existência em tempos distintos, porém,articulados à dimensão da produção necessária ao capital.
Ao institucionalizar o tempo de trabalho, também se institucionaliza o tempo de não trabalho, ou seja, aquele no qual o trabalhador estaria, hipoteticamente, disponível para realizar outras atividades diferentes daquelas em que ele trabalha. Desta forma, se destila um tipo de organização social na qual o trabalho é a principal referênciade tempo usada pelo indivíduo na orientação de sua vida: tudo gira em torno do trabalho e dos intervalos de tempo entre o exercício do mesmo.
Ocorre que na sociedade do conhecimento, pressupõe-se que o trabalho é realizado pelas máquinas e o ser humano é libertado para outras possibilidades de ação e atuação. Pressupõe-se que há tempo suficiente para o lazer, para a ampliação doconhecimento, para a vida familiar, etc. No entanto, como se tem comprovado a duras penas, na chamada sociedade do conhecimento, o trabalho das máquinas significa quase sempre desemprego - e, portanto, falta de renda. Tal processo é irreversível, uma vez que, os investimentos sempre se orientam em busca de mais tecnologia, maior qualificação do trabalhador e não na ampliação de mais vagas e frentes detrabalho, o que coloca definitivamente grande parte da sociedade em um mundo de não trabalho.
O tempo de não trabalho pode acabar tornando-se um tempo de desconforto, uma vez, que por levar a um nada a fazer e uma conseqüente falta de renda retira do indivíduo o que ele acredita ser a determinante da sua condição humana. Não trabalhar retira dos sujeitos à possibilidade de exercerem a cidadaniacolocando-os à margem do contexto social. Os marginas, isto é, "[...] aqueles que foram mutilados físico ou socialmente (infelizes, bandidos, desvalidos) [...] trata-se daqueles que estão fora da esfera de poder, excluídos da vida econômica" Menezes (2000: 45) como retrata nosso maravilhoso poeta e compositor de todos os tempos Chico Buarque de Hollanda na canção O Que Será? 6
Destacamos as...
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